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domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

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Pulso Semanal: Selic estável, atividade recua

A primeira semana de agosto trouxe um cenário de contrastes para a economia brasileira. Enquanto a taxa básica de juros permaneceu inalterada e o mercado de ações registrou ganhos, o indicador de atividade econômica acendeu sinal de alerta ao recuar de forma expressiva em relação ao mês anterior.

Selic mantida a 14,25%, dólar recua 2% em 30 dias e Ibovespa avança 3%, mas IBC-Br cai 4%. Análise completa do cenário econômico da semana no Correio Capital.

Panorama Geral

A economia brasileira apresentou sinais contraditórios na semana encerrada em 3 de agosto de 2026. De um lado, o mercado financeiro mostrou relativa estabilidade, com a taxa Selic (o juro básico que o Banco Central usa para controlar a inflação e orientar todos os demais juros da economia) mantida em 14,25% ao ano. Do outro, o IBC-Br — índice que funciona como uma prévia do PIB, medindo o nível de atividade da economia — registrou queda de 4% em relação ao período anterior, saindo de 113,99 pontos para 109,53 pontos.

Esse recuo na atividade econômica é significativo porque representa uma desaceleração no ritmo de produção de bens e serviços no país. Para o cidadão comum, isso pode se traduzir em menos contratações, menor crescimento de salários e redução no faturamento das empresas. O movimento contrasta com a relativa tranquilidade observada nos mercados financeiros, sugerindo que investidores ainda aguardam sinais mais claros sobre os rumos da política econômica.

Câmbio e Bolsa

O dólar comercial encerrou a semana cotado a R$ 5,0773, sem variação em relação aos sete dias anteriores. No acumulado de 30 dias, porém, a moeda americana recuou 2% frente ao real — um movimento que torna produtos importados mais baratos e ajuda a conter a inflação, mas pode prejudicar exportadores brasileiros que vendem para o exterior e recebem em dólar.

Já o Ibovespa (o principal índice da bolsa de valores brasileira, que funciona como um termômetro do humor dos investidores em relação às maiores empresas do país) fechou aos 177.999 pontos, acumulando alta de 3% no último mês. Esse avanço indica que, apesar da desaceleração econômica, o mercado de ações mantém expectativas positivas, possivelmente apostando em resultados corporativos resilientes ou em eventual mudança na trajetória dos juros no médio prazo.

A combinação de dólar em queda e bolsa em alta costuma refletir entrada de capital estrangeiro no país ou realocação de recursos domésticos para ativos de risco, em busca de retornos superiores aos oferecidos pela renda fixa.

Juros e Cenário Fiscal

Com a Selic estável em 14,25% ao ano, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que acompanha de perto a Selic e serve de referência para investimentos de renda fixa) registrou taxa diária de 0,052531%. Isso significa que aplicações atreladas ao CDI seguem oferecendo retornos elevados, mas também que o crédito permanece caro para famílias e empresas.

A taxa média de juros para pessoa física alcançou 39,44% ao ano, patamar que continua pressionando o orçamento doméstico. Para se ter uma ideia, um empréstimo de R$ 10 mil a essa taxa resultaria em quase R$ 4 mil de juros ao final de um ano — o equivalente a mais de três salários mínimos. Esse custo elevado do crédito ajuda a explicar parte da desaceleração observada no IBC-Br, já que famílias endividadas consomem menos e empresas adiam investimentos.

O Banco Central mantém os juros em nível restritivo como forma de ancorar as expectativas de inflação e preservar a credibilidade da política monetária. A manutenção da Selic sugere que a autoridade monetária ainda não enxerga espaço para afrouxamento, mesmo diante da desaceleração econômica.


📈 Índice Correio Capital (ICC)

46 pontos Neutro

O ICC em território neutro reflete a coexistência de sinais positivos nos mercados financeiros e preocupações com a desaceleração da atividade econômica.

🔎 O que observar esta semana

  • A trajetória do IBC-Br nos próximos meses, para confirmar se a desaceleração de 4% representa tendência ou movimento pontual da atividade econômica
  • Sinalizações do Banco Central sobre eventual mudança na condução da política monetária, especialmente diante do recuo na atividade
  • O comportamento do câmbio em meio à queda acumulada de 2% em 30 dias, que pode influenciar tanto a inflação quanto a competitividade das exportações brasileiras

Conteúdo editorial baseado em dados estruturados e análise do Correio Capital.