A Sprite Zero registrou crescimento superior a 100% em vendas no Brasil no último ano, segundo balanço da Coca-Cola FEMSA divulgado em julho de 2026. O desempenho coloca o refrigerante de limão sem açúcar como destaque no portfólio da companhia, que tenta repetir o sucesso da Coca-Cola Zero — produto que já cresceu 15% no mesmo período. Para entender a dimensão: quando uma bebida dobra de vendas em um ano, significa que para cada garrafa vendida no ano anterior, duas foram comercializadas agora.
O CEO da Coca-Cola FEMSA, Ian Craig, explicou em teleconferência com analistas que a empresa está ganhando quatro pontos percentuais de participação de mercado na categoria de refrigerantes de sabores (como Fanta e Sprite) no Brasil. Esse avanço é significativo em um mercado maduro e altamente competitivo como o brasileiro. “É impressionante o que está acontecendo no país, e isso se deve à Sprite Zero”, afirmou o executivo.
O contexto do mercado brasileiro
O Brasil foi o grande destaque do balanço global da Coca-Cola FEMSA, com volumes gerais crescendo 5% no segundo trimestre. Esse crescimento foi impulsionado pela Copa do Mundo e pela campanha de figurinhas da Panini nas embalagens — estratégia de marketing que funciona como um imã para consumidores, especialmente em períodos de grandes eventos esportivos. A título de comparação, o mercado global de refrigerantes tem crescido em média 2% a 3% ao ano, segundo dados da indústria, o que torna o desempenho brasileiro ainda mais expressivo.
Mas o fenômeno vai além dos refrigerantes tradicionais. As bebidas sem gás cresceram 23% no Brasil, puxadas pelo energético Monster e por bebidas esportivas como Powerade. A categoria de energéticos, especificamente, vem crescendo cerca de 25% ao ano nos últimos quatro trimestres no país — ritmo muito superior ao de mercados maduros como Estados Unidos e Europa, onde o crescimento gira em torno de 5% a 8% anuais. Pamela Ortiz, diretora de Relações com Investidores, atribuiu o resultado à inovação no portfólio, com lançamento de novos sabores e integração entre categorias.
A estratégia Zero e a mudança de hábitos
A aposta em versões sem açúcar reflete uma mudança global nos hábitos de consumo, com consumidores cada vez mais preocupados com saúde e redução de calorias. No Brasil, essa tendência se acelera: imagine que, há dez anos, pedir um refrigerante “zero” ou “diet” era visto como exceção; hoje, representa uma fatia crescente das vendas. A Coca-Cola Zero, por exemplo, já responde por cerca de 30% das vendas totais de Coca-Cola em alguns mercados desenvolvidos, segundo dados públicos da empresa.
A Sprite Zero parte de uma base menor que a Coca-Cola Zero, o que explica o crescimento percentual tão alto — é mais fácil dobrar quando se começa de um patamar baixo. Ainda assim, o ritmo de expansão indica que a bebida está conquistando consumidores que antes optavam por refrigerantes tradicionais ou por marcas concorrentes na categoria de limão.
📊 Número do Dia
+100% , Crescimento anual das vendas da Sprite Zero no Brasil, dobrando o volume comercializado em apenas um ano
Por que isso importa
Para o consumidor, a expansão de bebidas sem açúcar amplia as opções de produtos com menos calorias, acompanhando a preocupação crescente com saúde. Para a indústria, o caso da Sprite Zero mostra que há espaço para crescimento mesmo em mercados maduros, desde que haja inovação e adaptação aos novos hábitos. Para investidores, o desempenho robusto da Coca-Cola FEMSA no Brasil — maior mercado da América Latina — reforça a atratividade do setor de bebidas na região, especialmente em categorias premium como energéticos e versões zero.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2026/07/a-bebida-da-coca-cola-cujas-vendas-mais-que-dobraram-no-brasil.ghtml


