A Bitmine, empresa de mineração de criptomoedas, adicionou 9.999 unidades de Ethereum (a segunda maior criptomoeda do mercado, que funciona como combustível para aplicações descentralizadas) ao seu balanço patrimonial. Ao mesmo tempo, a companhia recomprou 6,1 milhões de ações ordinárias no mercado, conforme reportou o The Block. A operação faz parte de um programa de recompra de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões, a título de comparação com o tamanho de empresas brasileiras de médio porte listadas na B3).
A estratégia da Bitmine combina dois movimentos distintos. De um lado, a empresa acumula Ethereum, apostando na valorização futura do ativo digital. De outro, reduz o número de ações em circulação por meio de recompras, o que tende a aumentar o valor de cada ação restante (um mecanismo comum no mercado de capitais tradicional, usado por empresas como Petrobras e Vale quando querem devolver capital aos acionistas). Até o momento, a Bitmine já recomprou 11,6 milhões de ações dentro do programa total de US$ 4 bilhões.
Para contextualizar o volume de Ethereum adquirido: 10 mil ETH representam, a preços de mercado de meados de 2026, algo em torno de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões (dependendo da cotação exata, que oscila diariamente). Esse montante coloca a Bitmine entre as empresas de capital aberto que mantêm Ethereum em tesouraria, uma prática ainda menos comum do que a acumulação de Bitcoin por companhias como a MicroStrategy. A escolha por Ethereum, e não apenas Bitcoin, sinaliza aposta na infraestrutura de contratos inteligentes (programas que executam automaticamente quando certas condições são cumpridas) e aplicações descentralizadas.
Para o investidor brasileiro, o movimento ilustra uma tendência crescente: empresas de mineração e tecnologia passam a diversificar reservas corporativas com criptomoedas, tratando-as como ativos de tesouraria. No Brasil, ainda não há casos equivalentes de empresas listadas na B3 mantendo Ethereum ou Bitcoin em balanço, mas a existência de ETFs de criptomoedas (como HASH11, QBTC11 e ETHE11) mostra que o mercado local já oferece exposição indireta a esses ativos para investidores de varejo e institucionais.
📊 Número do Dia
11,6 milhões , Total de ações ordinárias já recompradas pela Bitmine dentro do programa de US$ 4 bilhões, reduzindo o número de papéis em circulação e concentrando valor nos acionistas remanescentes.
Por que isso importa
A dupla estratégia da Bitmine (acumular Ethereum e recomprar ações) mostra como empresas de cripto estão usando seus balanços de forma agressiva para apostar em valorização de ativos digitais e, ao mesmo tempo, devolver valor a acionistas. Para o mercado brasileiro, o caso serve de referência sobre como companhias podem combinar tesouraria em cripto com gestão de capital tradicional, algo que ainda não se vê entre empresas listadas na B3, mas que pode inspirar movimentos futuros conforme a regulação local amadurece.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/409749/bitmine-adds-nearly-10000-eth-repurchasing-6-1-million-common-shares?utm_source=rss&utm_medium=rss


