A Circle, empresa responsável pela emissão da USDC (uma stablecoin, ou seja, uma criptomoeda cujo valor é atrelado ao dólar americano para evitar a volatilidade típica do Bitcoin), adquiriu o portfólio completo de patentes de blockchain da IBM. Conforme reportou a The Block, a transação envolve mais de 680 famílias de patentes e aproximadamente 1.000 patentes já concedidas nos Estados Unidos. Para contextualizar, uma família de patentes agrupa invenções relacionadas registradas em diferentes países ou versões, funcionando como um guarda-chuva de proteção intelectual sobre uma mesma tecnologia.
Com essa aquisição, a Circle se tornou a maior detentora de patentes de blockchain nos Estados Unidos, superando gigantes de tecnologia e outras empresas do setor cripto. A IBM, que nos últimos anos reduziu investimentos em blockchain corporativo (sistemas de registro distribuído usados por empresas para rastrear transações de forma transparente e segura), vinha acumulando esse portfólio desde meados da década de 2010, quando blockchain era visto como a próxima revolução em logística, supply chain (cadeia de suprimentos) e contratos digitais. A Circle, por sua vez, emite a USDC, segunda maior stablecoin do mundo em valor de mercado, atrás apenas da Tether (USDT), segundo dados públicos da CoinGecko.
Para o investidor brasileiro, a movimentação sinaliza consolidação no mercado de stablecoins e reforça a posição da Circle como player de infraestrutura cripto de longo prazo. A USDC é amplamente usada em corretoras brasileiras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance para lastro de operações e conversão entre reais e criptomoedas. A título de comparação, enquanto empresas de tecnologia tradicionais acumulam patentes para proteger inovações (como a Apple faz com design de produtos), no universo cripto essas patentes podem definir quem controla tecnologias-chave de pagamentos digitais, contratos inteligentes (programas que executam ações automaticamente quando condições são cumpridas) e interoperabilidade entre blockchains (capacidade de diferentes redes conversarem entre si).
A IBM não divulgou o valor da transação, conforme a reportagem da The Block. Historicamente, a gigante de tecnologia foi pioneira em projetos como o Hyperledger Fabric, uma plataforma de blockchain voltada para empresas, mas viu o interesse corporativo em blockchain privado esfriar nos últimos anos, à medida que soluções públicas como Ethereum ganharam tração. A Circle, que já detinha patentes próprias, agora soma um arsenal que pode ser usado tanto para proteger suas operações quanto para licenciar tecnologia a terceiros, modelo comum em setores de alta tecnologia.
📊 Número do Dia
1.000 , Número de patentes de blockchain já concedidas nos EUA que a Circle adquiriu da IBM, tornando-se a maior detentora do país
Por que isso importa
A aquisição reforça a posição da Circle como infraestrutura de longo prazo no mercado cripto, especialmente em stablecoins, que são a ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo das criptomoedas. Para o investidor brasileiro, isso significa maior solidez da USDC, amplamente usada em corretoras locais. Para o ecossistema, sinaliza que empresas de tecnologia tradicional estão saindo de blockchain corporativo, enquanto players nativos cripto consolidam controle sobre a propriedade intelectual do setor.


