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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Rio aciona Master por R$ 640 milhões em perdas de fundo de pensão

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro entrou na Justiça contra a Master Corretora e gestoras de fundos para recuperar R$ 641,4 milhões perdidos pelo Rioprevidência — o fundo que garante a aposentadoria dos servidores públicos estaduais. As ações, protocoladas em 16 de janeiro, apontam manipulação de preços de ações e alterações irregulares em fundos de investimento.

Procuradoria do Rio aciona Master por R$ 641 milhões em perdas do Rioprevidência. Ações apontam manipulação de preços e mudanças irregulares em fundos.

O Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores públicos do Rio de Janeiro, perdeu R$ 641,4 milhões em investimentos administrados pelo Grupo Master, atualmente em liquidação extrajudicial (processo em que o Banco Central assume a gestão de uma instituição financeira com problemas graves). A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) protocolou três ações judiciais para recuperar os recursos, concentrando-se em dois fundos: Revolution e Texas I FIA.

No caso do Texas I FIA, a perda de R$ 135,1 milhões está ligada a uma suposta manipulação do preço das ações da empresa Ambipar. Segundo a PGE, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM — investigada na Operação “Carbono Oculto” por lavagem de dinheiro — comprou maciçamente os papéis da Ambipar, inflando artificialmente seu valor. É como se alguém comprasse todos os ingressos de um show para fazer parecer que está esgotado e depois vendesse por preço muito mais alto. O Rioprevidência comprou cotas do fundo quando o preço estava inflado e amargou prejuízo quando a bolha estourou.

O fundo Texas I FIA chegou a descumprir regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão que fiscaliza o mercado financeiro no Brasil). Em novembro de 2025, mantinha apenas 31% do patrimônio em ações, quando a regra para fundos de ações exige no mínimo 67%. Para comparação, seria como um restaurante que se diz especializado em frutos do mar, mas serve apenas 30% de peixes e camarões no cardápio — uma propaganda enganosa que prejudica quem escolheu o local justamente pela especialidade.

Já no fundo Revolution, onde o Rioprevidência investiu R$ 481,4 milhões, a acusação é diferente. A gestora Acura teria votado favoravelmente a mudanças no regulamento de outro fundo (FIDC Eicon) que prejudicaram os próprios cotistas, incluindo o Rioprevidência. As alterações incluíram a renúncia a direitos de voto e o aumento de 48 meses no prazo para resgatar o dinheiro investido — imagine descobrir que seu prazo fixo no banco, que venceria em 2 anos, foi unilateralmente estendido para 6 anos.

A PGE pede o bloqueio imediato de bens dos réus, incluindo imóveis, veículos, ações, marcas e até criptomoedas. O caso expõe a vulnerabilidade de fundos de pensão públicos, que administram recursos de milhares de servidores e dependem de gestores externos para investir. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), os fundos de pensão brasileiros administram cerca de R$ 1,2 trilhão — o equivalente a 12% do PIB nacional.

📊 Número do Dia

R$ 641,4 milhões , Valor perdido pelo fundo de pensão dos servidores públicos do Rio em investimentos administrados pelo Grupo Master

Por que isso importa

O caso afeta diretamente a segurança das aposentadorias de milhares de servidores públicos do Rio de Janeiro e expõe falhas na fiscalização de fundos de investimento no Brasil. Para o cidadão, demonstra como recursos públicos destinados a garantir benefícios futuros podem ser dilapidados por gestores inescrupulosos. Para o mercado financeiro, reforça a necessidade de controles mais rígidos sobre gestoras e a importância da devida diligência na escolha de investimentos por fundos de pensão, que administram trilhões de reais da poupança dos brasileiros.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/servidor-publico/noticia/2026/07/pge-rj-cobra-grupo-master-por-prejuizo-de-r-640-milhoes-causado-ao-rioprevidencia.ghtml