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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Home office atinge 20% dos servidores federais brasileiros

Um em cada cinco servidores públicos federais brasileiros trabalha em home office, seja parcial ou integralmente. São 107.800 funcionários em regime remoto, 24% dos elegíveis ao modelo, segundo dados de maio de 2025 do Ministério da Gestão e Inovação.

Home office atinge 20% dos servidores federais brasileiros, com crescimento de 28% em sete meses. Modelo contrasta com volta obrigatória aos escritórios nos EUA.

O trabalho remoto no governo federal brasileiro cresceu 28% entre outubro de 2024 e maio de 2025, passando de 84.200 para 107.800 servidores. Desse total, 73.600 (68,4%) atuam no modelo híbrido — alternando dias em casa e no escritório — enquanto 33.500 (31,1%) trabalham integralmente de forma remota. O avanço acontece principalmente no regime híbrido, que reunia apenas 49.800 trabalhadores em outubro.

O modelo ganhou força após a pandemia de Covid-19 e se consolidou com o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), criado em 2022 e implementado completamente em novembro de 2024. O PGD substitui o controle tradicional de ponto — aquele registro eletrônico de entrada e saída — por um acompanhamento baseado em metas e resultados. É como se, em vez de medir quantas horas o funcionário ficou sentado, o governo passasse a avaliar o que ele efetivamente entregou.

Quem trabalha mais de casa

Entre os órgãos com mais de cinco mil servidores, o próprio Ministério da Gestão e Inovação lidera: 67% de seus funcionários estão em teletrabalho. O Ministério da Fazenda vem em segundo lugar, com 56%, seguido pela Advocacia-Geral da União (53%) e pelo INSS (49%). Até o IBGE, que tenta endurecer as regras desde 2024, mantém 27% dos servidores em algum regime remoto.

Para participar do PGD, o servidor precisa ter completado um ano de estágio probatório — período inicial de avaliação no serviço público. Quem mudou de órgão deve trabalhar presencialmente por pelo menos seis meses antes de migrar para o teletrabalho. Atualmente, 147.800 servidores participam do programa, mas 39.600 deles optaram por continuar trabalhando presencialmente.

O debate internacional

O Brasil caminha na direção oposta de potências como Estados Unidos e Canadá. O presidente Donald Trump determinou a volta obrigatória aos escritórios para funcionários públicos federais americanos logo no primeiro dia de seu retorno à Casa Branca em 2025. O Canadá seguiu caminho semelhante: desde maio, servidores em cargos de chefia trabalham presencialmente cinco dias por semana, e os demais devem cumprir quatro dias no escritório.

Já a Irlanda adotou postura mais flexível, lançando em 2022 um programa que garante aos funcionários públicos o direito de trabalhar remotamente ao menos 20% do tempo. O Reino Unido estabeleceu que a maioria dos servidores federais deve passar pelo menos 60% da jornada presencialmente, embora a meta enfrente resistência sindical. A título de comparação, o modelo brasileiro é mais liberal que o britânico e irlandês, mas menos rígido que o americano e canadense.

Os desafios da gestão remota

Segundo o advogado Asafe Silva, especializado em gestão pública, o modelo de metas traz riscos. “O risco do controle tradicional do ponto é criar uma aparência de gestão. O servidor está presente, mas isso não significa necessariamente que está entregando bem”, afirma. “O risco da gestão por metas, por outro lado, é transformar tudo em número e perder a qualidade, complexidade ou atendimento ao cidadão.”

Gabriela Nunes, professora de Gestão de Carreiras da FGV, destaca outros desafios: “Fazer uma comunicação adequada tanto para quem está no presencial, híbrido e teletrabalho é difícil. Outro desafio é o engajamento, que é mais difícil de se manter com as pessoas trabalhando à distância, mantendo uma cultura organizacional.” Há ainda a questão da equidade — garantir que servidores remotos e presenciais recebam reconhecimento e distribuição de trabalho de forma justa.

Uma proposta de Reforma Administrativa apresentada no Congresso Nacional em 2024 previa limitar o home office a 20% da força de trabalho de cada órgão, restringindo-o a um dia por semana. O texto não avançou. O Ministério da Gestão destacou que o modelo reduz custos com aluguel de imóveis, mobiliário e equipamentos, especialmente em contextos de ampliação do funcionalismo.

📊 Número do Dia

28% , Foi o crescimento no número de servidores federais em trabalho remoto entre outubro de 2024 e maio de 2025, passando de 84.200 para 107.800 funcionários

Por que isso importa

O avanço do home office no serviço público representa uma mudança estrutural na forma como o Estado brasileiro funciona. Para o cidadão, o modelo pode significar atendimento mais eficiente se as metas forem bem desenhadas — ou piora no serviço se a gestão falhar. Para o contribuinte, há economia potencial com aluguel de prédios e infraestrutura. E para o mercado de trabalho privado, o exemplo do governo pode influenciar políticas de empresas, especialmente em setores que ainda resistem ao modelo remoto. A discussão sobre produtividade versus presença física está longe de terminar, tanto aqui quanto no exterior.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/servidor-publico/noticia/2026/07/um-em-cada-cinco-servidores-federais-trabalha-parcial-ou-integralmente-em-home-office.ghtml