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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Niterói investe R$ 162 milhões para retomar indústria naval

A Prefeitura de Niterói está concluindo a dragagem do Canal de São Lourenço, obra de R$ 162,6 milhões que aumentará a profundidade do canal de 7 para 11 metros. A intervenção busca reativar a indústria naval da cidade, que perdeu mais de 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos desde a década de 1990.

Niterói investe R$ 162 milhões em dragagem do Canal de São Lourenço para retomar indústria naval e recuperar 20 mil empregos perdidos desde os anos 1990.

Niterói se aproxima de recuperar uma vocação econômica que parecia perdida. A dragagem do Canal de São Lourenço — a via de acesso marítimo aos estaleiros e ao porto da cidade — está na reta final e deve permitir a entrada de embarcações de maior porte. A obra aumentará a profundidade do canal de 7 para 11 metros, eliminando uma limitação que há décadas afasta navios maiores da região.

O investimento de R$ 162,6 milhões é inteiramente municipal, segundo informou o prefeito Rodrigo Neves em encontro com representantes do setor naval nesta terça-feira (8). A Prefeitura já planeja uma segunda fase da dragagem, com licitação prevista para 2027, para ampliar ainda mais a capacidade de navegação. O Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) conduz estudos técnicos para identificar novas intervenções necessárias.

O que aconteceu com a indústria naval de Niterói

A região da Ilha da Conceição, em Niterói, foi durante décadas um dos principais polos da indústria naval brasileira. A partir dos anos 1990, com a crise do setor no país, a cidade perdeu mais de 20 mil empregos diretos e indiretos ligados aos estaleiros e à cadeia de fornecedores. Para entender a dimensão: é como se uma cidade do tamanho de Petrópolis perdesse todos os empregos de sua principal indústria de uma só vez.

A dragagem busca reverter esse quadro. Com um canal mais profundo, navios de maior porte — usados na exploração de petróleo e gás, na pesca industrial e no transporte de cargas — poderão atracar na região. Isso beneficia toda a cadeia produtiva: desde estaleiros que fazem manutenção de embarcações até empresas de logística e fornecedores de equipamentos.

Comparação internacional

A título de comparação, o Porto de Roterdã, na Holanda — um dos maiores da Europa —, mantém canais de acesso com profundidade entre 20 e 24 metros, permitindo a entrada de navios de grande calado (aqueles que precisam de muita profundidade para navegar). Niterói ainda estará distante desse padrão, mas os 11 metros representam um avanço significativo em relação aos 7 metros atuais, aproximando-se de portos regionais de médio porte.

O secretário executivo de Niterói, Felipe Peixoto, afirmou que “a economia do mar é uma estratégia de desenvolvimento para Niterói”. A Prefeitura financiou também o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), necessário para o licenciamento, com investimento adicional de R$ 772 mil. Após a conclusão da obra, a Marinha precisará elaborar uma nova carta náutica — o mapa oficial de navegação — para atualizar as condições do canal.

📊 Número do Dia

20 mil , Empregos diretos e indiretos perdidos por Niterói na indústria naval desde os anos 1990

Por que isso importa

Para o cidadão de Niterói, a dragagem representa a possibilidade de recuperação de empregos em um setor que já foi o motor da economia local. Para empresas do setor naval, portuário e de petróleo e gás, significa maior competitividade e acesso a navios de maior porte, ampliando oportunidades de negócios. Para o investidor, sinaliza uma aposta municipal em infraestrutura produtiva, com potencial de atrair novos investimentos privados para a região nos próximos anos.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/niteroi/noticia/2026/07/08/dragagem-entra-na-reta-final-e-mira-retomada-de-niteroi-na-rota-dos-grandes-navios-apos-decadas-de-crise.ghtml