Pular para o conteúdo
segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Empresas criam cargo de chefe de inteligência artificial

Um novo cargo começa a aparecer no alto escalão das empresas: o CAIO (Chief Artificial Intelligence Officer), executivo responsável por governar o uso de inteligência artificial nas organizações. A função nasce da constatação de que 88% das empresas já usam IA regularmente, mas poucas têm estrutura formal para gerir riscos, valor e decisões envolvendo a tecnologia.

Empresas criam cargo de CAIO para governar inteligência artificial. Investimento global em IA generativa chegou a US$ 33,9 bi em 2024. Brasil prevê R$ 23 bi.

A inteligência artificial já entrou nas empresas, mas ainda não ganhou um dono claro. Segundo pesquisa da McKinsey citada por O Globo, 88% das organizações já usam IA (inteligência artificial, ou seja, sistemas que aprendem e tomam decisões sem programação explícita para cada situação) regularmente em ao menos uma função de negócio. Ao mesmo tempo, o investimento privado global em IA generativa (aquela que cria textos, imagens ou códigos) chegou a US$ 33,9 bilhões em 2024, alta de 18,7% sobre o ano anterior, conforme o AI Index 2025 da Universidade Stanford.

É nesse contexto que surge o CAIO, sigla para Chief Artificial Intelligence Officer — em português, diretor de inteligência artificial. O cargo nasce para organizar o uso de IA dentro das empresas, definindo quem é responsável por cada projeto, como medir resultados, quais riscos existem e como prestar contas ao conselho. Dimitri de Melo, CEO da Beyond Hospitality Brasil e autor do livro “CAIO: Chief Artificial Intelligence Officer: Manual de Governança de IA”, explica que o executivo de IA não deve ser visto como um comprador de plataformas, mas como o “engenheiro da ponte” entre tecnologia, negócios e governança.

“O erro das empresas é imaginar que a IA falha apenas por problema técnico. Muitas vezes, ela falha porque não tem dono, métrica, risco classificado, governança ou caminho de escala”, afirma Dimitri, segundo O Globo. A pressão já chegou à mesa dos presidentes: levantamento com 469 CEOs indica que 80% esperam que a IA force mudanças médias ou altas nas capacidades operacionais das empresas. É como se a tecnologia tivesse entrado pela porta dos fundos — via departamentos isolados — e agora precisasse de um endereço oficial na estrutura de comando.

Regulação empurra o tema para o alto escalão

A criação do cargo também responde a uma onda regulatória global. Nos Estados Unidos, memorando da Casa Branca determinou que agências federais designassem um Chief AI Officer para coordenar o uso de IA, inovação e gestão de riscos. Na União Europeia, o AI Act (lei que regula inteligência artificial) entrou em vigor em 2024, com aplicação progressiva de obrigações sobre práticas proibidas e modelos de propósito geral.

No Brasil, o PL 2338/2023, que trata do uso ético e responsável da IA, está em tramitação na Câmara dos Deputados. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) incluiu inteligência artificial entre os temas da Agenda Regulatória 2025-2026, enquanto o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões em investimentos em quatro anos. A título de comparação, o investimento brasileiro equivale a cerca de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo que o país produz), enquanto países como Coreia do Sul e Singapura destinam proporções superiores a 1% do PIB para estratégias nacionais de IA, segundo dados da OCDE.

O que muda na prática

O CAIO não substitui outros executivos de tecnologia, como o CIO (diretor de tecnologia da informação) ou o CISO (diretor de segurança da informação). Seu papel é orquestrar essas áreas para que cada iniciativa de IA tenha problema claro, valor esperado, responsável técnico, dono de negócio, classificação de risco e monitoramento contínuo. Na prática, é como ter um maestro que garante que todos os instrumentos toquem juntos, em vez de cada músico tocar sozinho em seu canto.

O cargo tende a ganhar mais força em setores intensivos em dados e regulação — bancos, saúde, seguros, varejo, educação, telecom e indústria. Nesses ambientes, uma IA mal governada pode escalar vieses (preconceitos embutidos nos dados), expor informações sensíveis, automatizar erros ou gerar passivos reputacionais. A disputa competitiva da próxima década não estará apenas em acessar modelos de IA poderosos, mas em saber integrá-los ao negócio, redesenhar processos, preparar pessoas e prestar contas.

📊 Número do Dia

88% , das organizações já usam inteligência artificial regularmente em ao menos uma função de negócio, segundo pesquisa da McKinsey

Por que isso importa

Para o investidor, a criação do cargo de CAIO sinaliza que empresas estão estruturando governança de IA, reduzindo riscos regulatórios e operacionais — fator relevante na avaliação de companhias intensivas em dados. Para a empresa, ter um executivo dedicado pode acelerar a captura de valor da IA e evitar passivos de compliance. Para o cidadão, a governança formal aumenta a chance de que sistemas de IA usados em crédito, saúde e atendimento sejam mais transparentes, auditáveis e menos enviesados.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/07/07/o-dono-da-ia-nas-empresas-tem-nome-caio-chief-ai-officer-1.ghtml