A Alimentation Couche-Tard, gigante canadense do varejo de combustíveis, entrou na disputa por uma fatia da Ipiranga. A empresa negocia com o Grupo Ultra a compra de participação na rede brasileira, que opera mais de seis mil postos de serviço espalhados pelo país. A Ipiranga é a segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil — imagine uma rede que abastece milhões de carros diariamente, presente em praticamente todas as rodovias e cidades do país.
O negócio envolve uma operação de peso: a Ipiranga gera mais de R$ 140 bilhões em receita anualmente. Para colocar em perspectiva, esse valor equivale a cerca de 1,5% do PIB brasileiro (a soma de tudo que o país produz em um ano). A Couche-Tard não é novata no setor: a empresa canadense opera mais de 14 mil lojas de conveniência e postos em diversos países, sendo uma das maiores do mundo no segmento. A título de comparação, nos Estados Unidos, a companhia controla redes conhecidas como Circle K, competindo diretamente com gigantes como 7-Eleven.
O interesse estrangeiro pela Ipiranga reflete a atratividade do mercado brasileiro de combustíveis, que movimenta bilhões e tem demanda garantida. Segundo dados públicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil consome cerca de 120 bilhões de litros de combustíveis por ano — volume que coloca o país entre os dez maiores mercados do mundo. O setor de distribuição funciona como uma ponte entre as refinarias (que produzem gasolina e diesel) e o consumidor final nos postos, garantindo margens estáveis mesmo em cenários de volatilidade.
A Couche-Tard já tentou outras aquisições no setor global recentemente, incluindo uma oferta bilionária pela britânica EG Group em 2024. A estratégia da empresa é expandir sua presença em mercados emergentes, onde o crescimento da frota de veículos ainda é robusto. No Brasil, a frota circulante supera 115 milhões de veículos, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), e cresce cerca de 3% ao ano — ritmo superior ao de economias desenvolvidas como Canadá e Estados Unidos, onde o mercado já está saturado.
📊 Número do Dia
R$ 140 bilhões , Receita anual da Ipiranga, alvo da negociação com a canadense Couche-Tard
Por que isso importa
Para o consumidor, a entrada de um player global pode significar maior concorrência no setor de combustíveis, potencialmente pressionando preços e melhorando serviços nos postos. Para investidores, o movimento sinaliza que ativos brasileiros no setor de infraestrutura e varejo de combustíveis seguem atraentes para capital estrangeiro, mesmo em cenário de juros elevados. Para o Grupo Ultra, a venda de participação pode liberar caixa para outras operações ou reduzir endividamento, estratégia comum em momentos de consolidação setorial.
Fonte original: https://www.riotimesonline.com/couche-tard-ultrapar-ipiranga-stake-bid-brazil-fuel-2026/


