A balança comercial brasileira — a diferença entre o que o país vende e compra do exterior — registrou superávit de US$ 9,8 bilhões em junho de 2026, alta de 66,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de quase 25% nas exportações, que alcançaram US$ 36,3 bilhões no período, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As importações também cresceram, mas em ritmo menor (14,4%), totalizando US$ 26,5 bilhões.
A corrente de comércio — a soma de tudo que o Brasil vendeu e comprou do exterior — atingiu US$ 62,8 bilhões, o maior valor já registrado para um único mês na série histórica. É como se o Brasil tivesse batido seu próprio recorde de movimentação comercial com o resto do mundo. O resultado de junho foi o terceiro melhor para o mês, ficando atrás apenas de junho de 2021 (US$ 10,4 bilhões) e de 2023 (US$ 10,1 bilhões).
O que impulsionou as vendas
O aumento das exportações foi liderado pela indústria extrativa, que engloba petróleo e minério de ferro, com vendas de US$ 9,9 bilhões — alta de 58,4% em relação a junho de 2025. O petróleo bruto sozinho cresceu 78,9%, enquanto o minério de ferro avançou 20%. A indústria de transformação, que processa matérias-primas em produtos acabados, vendeu US$ 18 bilhões (+14,7%), com destaque para combustíveis (+88,8%), carne de aves (+62,4%) e carne bovina (+39,2%). A agropecuária exportou US$ 8,1 bilhões (+18%), puxada pela soja (+17,3%) e algodão (+64,1%).
As vendas cresceram para praticamente todos os principais mercados do Brasil. A Ásia comprou US$ 17,4 bilhões em produtos brasileiros (+29,9%), a Europa US$ 6,4 bilhões (+43,9%) e a América do Norte US$ 4,9 bilhões (+8,5%). Mesmo com as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos — que ameaçam aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros —, as exportações para os americanos cresceram 3,7% entre maio e junho.
Comparação internacional
Para colocar em perspectiva, o superávit comercial brasileiro de US$ 9,8 bilhões em um único mês supera o saldo anual de diversos países emergentes. A título de comparação, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), economias como Argentina e Chile costumam registrar superávits anuais inferiores a US$ 10 bilhões. O desempenho brasileiro reflete a força das commodities — produtos básicos como minério, petróleo e grãos — na pauta exportadora do país, característica comum a economias ricas em recursos naturais.
Projeções revisadas
Diante do desempenho robusto no primeiro semestre, o Mdic revisou para cima sua projeção para o ano. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões em 2026. A previsão de exportações foi elevada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, enquanto a projeção para importações subiu de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Essas estimativas são mais otimistas que as do mercado financeiro: segundo o boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções de bancos e consultorias, o superávit esperado é de US$ 76,2 bilhões.
📊 Número do Dia
US$ 62,8 bilhões — Maior corrente de comércio (soma de exportações e importações) já registrada em um único mês na história do Brasil
Por que isso importa
Um superávit comercial robusto fortalece as reservas internacionais do Brasil — a poupança em dólares que o país mantém para emergências — e ajuda a estabilizar o câmbio, o que pode conter a alta do dólar e, consequentemente, a inflação de produtos importados. Para empresas exportadoras, o cenário é favorável, com demanda aquecida especialmente da Ásia e Europa. Para o cidadão, o impacto é indireto: mais dólares entrando no país podem significar real mais forte e produtos importados mais baratos, embora o efeito dependa de outros fatores, como a política de juros e o cenário fiscal.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/balanca-comercial-tem-superavit-de-us-98-bilhoes-em-junho


