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terça-feira, 18 de agosto de 2026 Brasil

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Braskem pede proteção judicial para renegociar R$ 44 bilhões

A Braskem entrou com pedidos judiciais e extrajudiciais nesta quinta-feira (25) para suspender cobranças de credores financeiros enquanto tenta renegociar uma dívida de R$ 44 bilhões. A medida não afeta fornecedores, clientes ou funcionários, que continuam sendo pagos normalmente.

Braskem pede proteção judicial para renegociar R$ 44 bi em dívidas. Empresa busca recuperação extrajudicial enquanto enfrenta prejuízo de R$ 11 bi.

A Braskem, maior petroquímica do Brasil, está correndo contra o tempo para evitar o colapso financeiro. A empresa protocolou um pedido de Tutela de Urgência Cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e iniciou processo de mediação na Câmara Wind, buscando suspender temporariamente as cobranças de seus credores financeiros. Segundo informações divulgadas pela companhia ao mercado, as medidas visam “preservar um ambiente estável” para negociações de uma solução consensual para sua estrutura de capital.

O tamanho do problema é gigantesco. A dívida líquida da Braskem alcançou US$ 8,5 bilhões (R$ 44 bilhões) no primeiro trimestre, equivalente a 16,8 vezes sua geração de caixa anual — imagine uma família que ganha R$ 5 mil por mês devendo R$ 84 mil no cartão de crédito. Para piorar, a empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 11 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões, o que significa que suas dívidas superam o valor de todos os seus ativos.

O caminho mais provável é uma recuperação extrajudicial, modelo seguido recentemente pela Raízen. Diferentemente da recuperação judicial — que suspende todas as cobranças, inclusive de fornecedores e empregados —, a extrajudicial permite negociar apenas com credores financeiros (bancos e detentores de títulos de dívida), mantendo as operações normais com o restante da cadeia. As negociações envolvem R$ 50 bilhões em dívidas, segundo o jornal Valor, e correm contra o vencimento de parte dos compromissos em julho.

Tempestade perfeita na petroquímica

A crise da Braskem é resultado de uma combinação de fatores: endividamento excessivo, custos bilionários com o desastre ambiental em Maceió (AL) e um ciclo global de baixa na indústria petroquímica. A empresa, que era controlada pela Novonor (antigo grupo Odebrecht, abalado pela Operação Lava-Jato) e tem a Petrobras como sócia minoritária, vendeu em abril sua participação de controle para a gestora IG4 Capital por cerca de R$ 20 bilhões. A IG4 é especializada em empresas em dificuldades — uma estratégia conhecida no mercado como “investimento em distressed assets” (ativos em dificuldade).

Ironicamente, a guerra no Oriente Médio pode trazer alívio. Com refinarias iranianas atingidas e o petróleo mais caro, a petroquímica asiática e do Oriente Médio perdeu competitividade, beneficiando produtores das Américas. Helcio Tokeshi, novo CEO da Braskem e sócio da IG4, reconheceu ao Valor que “haverá turbulências, mas o momento ajuda”. A título de comparação, a petroquímica europeia enfrenta crise semelhante há anos devido aos altos custos de energia, levando gigantes como a BASF a reduzir operações no continente.

Número do dia

16,8 vezes é a relação entre a dívida da Braskem e sua capacidade de gerar caixa anualmente — um dos piores indicadores de endividamento entre grandes empresas brasileiras.

Por que isso importa

Para o investidor: A reestruturação pode diluir acionistas atuais ou converter dívida em ações, alterando a estrutura de capital. Para a empresa: A suspensão de cobranças compra tempo para negociar condições viáveis, mas o sucesso depende de convencer credores a aceitar perdas ou prazos mais longos. Para o cidadão: A Braskem é fornecedora essencial de resinas plásticas para indústrias de embalagens, automóveis e construção civil — uma falência afetaria preços e disponibilidade de produtos no varejo. Além disso, a empresa ainda responde pelos custos do desastre em Maceió, onde milhares de famílias foram desalojadas devido ao afundamento de solo causado por antigas minas de sal.

📊 Número do Dia

16,8 vezes , Relação entre a dívida líquida da Braskem (R$ 44 bilhões) e sua geração de caixa anual — um dos piores indicadores de endividamento entre grandes empresas brasileiras

Por que isso importa

Para o investidor, a reestruturação pode diluir acionistas atuais ou converter dívida em ações. Para a empresa, a suspensão de cobranças compra tempo para negociar condições viáveis com credores. Para o cidadão, a Braskem é fornecedora essencial de resinas plásticas para indústrias de embalagens, automóveis e construção — uma falência afetaria preços e disponibilidade de produtos no varejo, além de comprometer o pagamento de indenizações pelo desastre ambiental em Maceió.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/06/25/braskem-pede-suspensao-de-cobrancas-enquanto-tenta-renegociar-divida-bilionaria-com-credores.ghtml