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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Líder do governo Lula no Senado vira alvo da Operação Master

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (18) mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no Banco Master.

Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner é alvo de operação da PF que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. Nora recebeu R$ 11 milhões.

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (18) mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na nona fase da Operação Compliance Zero. A operação investiga um esquema de fraudes financeiras no Banco Master, comandado pelo empresário Daniel Vorcaro, atualmente preso. Ao todo, 18 mandados foram cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome de Jaques Wagner já havia aparecido nas investigações depois que veio à tona que sua nora recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco Master. O dinheiro foi pago à empresa BK Financeira, de propriedade dela. Na época, o senador negou ter conhecimento de investigações e afirmou que nunca participou de intermediações ou negociações em favor da empresa citada.

Um esquema que cresce a cada fase

Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou investigando a criação de carteiras de crédito sem lastro (ou seja, empréstimos registrados no papel mas que nunca existiram de fato) e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master. Com o avanço das apurações, a investigação passou a mirar uma suposta rede de corrupção envolvendo pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos — funcionários do governo que teriam recebido propina em troca de favores.

Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem caracterizar crimes de corrupção passiva (quando o agente público recebe a propina), corrupção ativa (quando alguém oferece a propina) e lavagem de dinheiro (quando recursos obtidos ilegalmente são disfarçados como legítimos). A operação também apura a existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.

Políticos de diferentes partidos na mira

O caso Master já atingiu figuras políticas de diversos espectros ideológicos. A última fase antes desta teve como alvo o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), investigado por aportes suspeitos do Rioprevidência (fundo de pensão dos servidores estaduais) em títulos do Master que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também foi alvo de investigação pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A título de comparação, escândalos financeiros envolvendo políticos de diferentes partidos não são exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, o caso do banco Silicon Valley Bank em 2023 levou a investigações sobre possível uso de informação privilegiada por parlamentares que venderam ações antes do colapso. No Brasil, porém, a particularidade do caso Master está na amplitude: envolve desde fundos de pensão públicos até empresas familiares de políticos, sugerindo um esquema de distribuição de recursos ilícitos em múltiplas camadas.

A defesa nega irregularidades

Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Em nota, a defesa de Lima afirmou que as diligências eram “desnecessárias” e que ele está há seis meses à disposição das autoridades. Os advogados sustentam que Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro”.

📊 Número do Dia

R$ 11 milhões , Valor recebido pela nora de Jaques Wagner do Banco Master, segundo as investigações da Polícia Federal

Por que isso importa

O envolvimento de um líder do governo no Senado em investigações sobre fraudes bilionárias pode dificultar a aprovação de projetos prioritários do Executivo no Congresso, além de desgastar a imagem do governo Lula. Para o cidadão, o caso expõe como recursos de fundos públicos — como o Rioprevidência, que administra o dinheiro da aposentadoria de servidores — podem ter sido desviados em esquemas fraudulentos. Para investidores, reforça a necessidade de cautela ao aplicar em títulos de instituições financeiras menores, que podem ter controles internos mais frágeis.


Fonte original: https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/06/caso-master-jaques-wagner-lider-do-governo-lula-no-senado-e-alvo-de-nova-fase-da-operacao-compliance-zero.ghtml