A OpenSea, maior plataforma de compra e venda de NFTs do mundo, projeta que a próxima fase de expansão do mercado de tokens não fungíveis virá da digitalização de objetos físicos. Segundo Adam Hollander, diretor de marketing da empresa, em entrevista à The Block publicada em 15 de maio de 2026, itens colecionáveis como cartas de Pokémon, relógios de luxo da marca Rolex e ingressos para eventos devem ser os protagonistas dessa transformação. Para contextualizar: NFTs (tokens não fungíveis) são certificados digitais únicos que comprovam a propriedade de um item, seja ele uma imagem digital, um vídeo ou, neste caso, a representação digital de um objeto físico.
Hollander atribui esse movimento esperado aos avanços recentes em inteligência artificial, que tornam mais simples para qualquer pessoa criar e gerenciar ativos tokenizados. A tokenização funciona como um registro digital imutável de propriedade: imagine um certificado de autenticidade que não pode ser falsificado e que acompanha o objeto para sempre, como um cartório aberto a todos. No caso de uma carta rara de Pokémon, por exemplo, o NFT serviria como prova de autenticidade e histórico de propriedade, reduzindo fraudes no mercado de colecionáveis (um problema crônico nesse segmento, conforme dados públicos do setor).
A visão da OpenSea reflete uma tentativa de expandir o mercado de NFTs para além das imagens digitais e avatares que dominaram o ciclo de 2021 e 2022. Naquele período, o mercado de NFTs movimentou bilhões de dólares globalmente, mas enfrentou queda acentuada de volume em 2023 e 2024, conforme dados públicos da plataforma DappRadar. A tokenização de ativos físicos representa uma estratégia para atrair um público mais amplo, interessado em colecionáveis tradicionais e não apenas em arte digital.
Para o investidor brasileiro, essa tendência ainda é incipiente. No Brasil, o mercado de NFTs permanece concentrado em nichos de arte digital e gaming, com pouca penetração em ativos físicos tokenizados. A regulação local sobre tokens não fungíveis ainda está em construção: a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) não emitiu normas específicas para NFTs, tratando cada caso conforme suas características (se o token confere direitos econômicos, pode ser enquadrado como valor mobiliário). A tokenização de ingressos, por exemplo, poderia enfrentar desafios regulatórios relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados e às normas de defesa do consumidor.
📊 Número do Dia
Cartas Pokémon + Rolex , Ativos físicos que a OpenSea aponta como próxima fronteira da tokenização via NFTs, segundo declaração de seu diretor de marketing em maio de 2026
Por que isso importa
A aposta da OpenSea em ativos físicos tokenizados sinaliza uma tentativa de reinventar o mercado de NFTs após a queda de volume dos últimos anos. Para o investidor brasileiro, representa uma possível nova classe de ativos digitais, mas ainda sem clareza regulatória local. A tecnologia pode trazer mais transparência ao mercado de colecionáveis (reduzindo falsificações), mas depende de adoção em massa e de marcos legais que protejam consumidores sem inviabilizar a inovação.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/401504/opensea-cmo-tokenized-pokemon-cards-rolexes-tickets-driving-next-nft-wave?utm_source=rss&utm_medium=rss












