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Banco francês lança stablecoins para finanças tokenizadas

Societe Generale lança stablecoins EURCV e USDCV para operações institucionais em blockchain. Entenda o impacto para o mercado brasileiro e o Drex.
O Societe Generale, um dos maiores bancos da França, anunciou em 13 de maio de 2025 o lançamento de duas stablecoins (moedas digitais com valor fixo atrelado a moedas tradicionais) para uso em operações de financiamento e garantias tokenizadas na rede Canton, segundo reportou a Cointelegraph.

O banco francês Societe Generale lançou duas stablecoins próprias, a EURCV (atrelada ao euro) e a USDCV (atrelada ao dólar), para uso institucional na rede blockchain Canton. Stablecoins são moedas digitais que mantêm valor fixo, lastreadas em moedas tradicionais: um EURCV vale sempre um euro, um USDCV vale sempre um dólar, mesmo quando o resto do mercado cripto balança. Segundo a Cointelegraph, o objetivo é usar essas moedas em três tipos de operação: garantias tokenizadas (colaterais digitais), financiamento via operações compromissadas (repos, um tipo de empréstimo de curto prazo comum no mercado financeiro) e liquidação de transações entre instituições.

A rede Canton é uma blockchain privada voltada para instituições financeiras, diferente das redes públicas como Ethereum ou Bitcoin. Isso significa que apenas participantes autorizados podem operar nela, o que atende às exigências regulatórias de bancos tradicionais. Para contextualizar, é como se o Societe Generale tivesse criado um sistema de pagamento digital próprio, mas que funciona dentro de uma infraestrutura compartilhada com outros bancos e instituições, permitindo transações instantâneas e auditáveis entre eles.

O movimento do Societe Generale representa uma tendência crescente no mercado financeiro global: a tokenização de ativos tradicionais, ou seja, a representação digital de valores e garantias que antes existiam apenas em registros bancários convencionais. Historicamente, operações de repo e garantias envolvem processos lentos, com múltiplos intermediários e custos elevados. A promessa da tecnologia blockchain é reduzir esses custos e acelerar as liquidações, tornando o sistema financeiro mais eficiente.

Para o investidor brasileiro, esse tipo de iniciativa ainda não tem impacto direto imediato. No Brasil, o Banco Central desenvolve o Drex, a moeda digital oficial, e a regulação de stablecoins privadas ainda está em discussão. Segundo conhecimento de mercado, a CVM e o Banco Central têm sinalizado cautela com stablecoins emitidas por instituições privadas, exigindo garantias robustas e supervisão rigorosa. A título de comparação, enquanto bancos europeus como o Societe Generale avançam em stablecoins próprias, no Brasil os bancos tradicionais ainda aguardam maior clareza regulatória antes de lançar produtos similares.

📊 Número do Dia

2 stablecoins , Número de moedas digitais lastreadas (EURCV e USDCV) lançadas pelo Societe Generale para operações institucionais na rede Canton.

Por que isso importa

O lançamento de stablecoins por um banco tradicional de grande porte sinaliza a aceitação crescente da tecnologia blockchain no sistema financeiro global. Para o Brasil, serve como referência do que pode vir com o Drex e a futura regulação de stablecoins privadas. Embora o impacto imediato no mercado brasileiro seja limitado, a tendência de tokenização de ativos e uso de moedas digitais institucionais pode influenciar a forma como bancos locais e a B3 estruturam produtos cripto no futuro.


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/societe-generale-expands-tokenized-collateral-and-stablecoin-push-on-canton-network?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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