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Governo libera FGTS para quitar dívidas a partir de 25 de maio

A partir de 25 de maio, trabalhadores poderão usar até R$ 1 mil do FGTS para quitar dívidas no Desenrola Brasil. Governo espera movimentar R$ 8,2 bilhões.
A partir de 25 de maio, trabalhadores brasileiros poderão consultar quanto do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, uma espécie de poupança forçada que o empregador deposita mensalmente) está disponível para renegociar dívidas no Novo Desenrola Brasil, segundo informou o Ministério do Trabalho e Emprego.

A nova modalidade do programa permite que o trabalhador use até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil — o que for maior — para abater ou quitar dívidas em atraso. Para entender melhor: se você tem R$ 3 mil no FGTS, poderá usar R$ 1 mil (porque 20% de R$ 3 mil daria R$ 600, mas prevalece o maior valor). Se tiver R$ 10 mil, poderá usar R$ 2 mil (20% de R$ 10 mil). O governo espera movimentar até R$ 8,2 bilhões com a medida.

O processo será feito digitalmente, sem necessidade de ir a agências bancárias. O trabalhador precisará autorizar, pelo aplicativo do FGTS, que os bancos acessem o saldo disponível para a renegociação. Depois que a dívida for renegociada dentro do programa, a Caixa Econômica Federal transfere o dinheiro diretamente para o banco credor. O prazo estimado para conclusão é de até 30 dias após a consulta do saldo.

Podem participar trabalhadores com renda mensal de até R$ 8.105 (cerca de 8 salários mínimos) que tenham dívidas em cartão de crédito, cheque especial ou Crédito Direto ao Consumidor (CDC, aquele financiamento para comprar eletrodomésticos ou outros bens). Importante: usar o FGTS para pagar dívidas suspende temporariamente novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até que o saldo seja recomposto. É como se você pegasse emprestado de si mesmo e precisasse esperar o fundo se recuperar antes de sacar novamente.

Comparação internacional e contexto

A medida brasileira de usar poupança compulsória para renegociar dívidas é relativamente incomum no cenário internacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, fundos de aposentadoria como o 401(k) permitem empréstimos ao trabalhador, mas com juros e prazos rígidos de devolução — diferente do modelo brasileiro, que usa o saldo para abater dívidas sem necessidade de reembolso ao fundo. A título de comparação, segundo dados da OCDE, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 51% da renda disponível em 2024, patamar inferior ao de países como Reino Unido (130%) ou Estados Unidos (100%), mas preocupante dado o custo do crédito no Brasil, onde os juros do cartão de crédito superam 400% ao ano.

Além da liberação para o Desenrola, o governo depositará automaticamente em 26 de maio cerca de R$ 8,4 bilhões em valores residuais do saque-aniversário para 10,5 milhões de trabalhadores. Esses recursos estavam bloqueados porque os trabalhadores haviam aderido ao saque-aniversário (modalidade que permite sacar parte do FGTS todo ano no mês de aniversário) mas foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025. Antes dessa data, parte do saldo pode sumir temporariamente do aplicativo devido ao processamento interno da Caixa.

📊 Número do Dia

R$ 8,2 bilhões — Volume estimado de recursos do FGTS que poderão ser usados para renegociar dívidas no Novo Desenrola Brasil

Por que isso importa

Para o cidadão endividado, a medida oferece uma saída concreta: usar dinheiro que já é seu, mas estava parado no FGTS, para escapar dos juros altíssimos do cartão de crédito e do cheque especial. Para a economia, a expectativa é que a liberação de mais de R$ 16 bilhões (somando Desenrola e saque residual) alivie a inadimplência das famílias e estimule o consumo, funcionando como um impulso de curto prazo. Para os bancos, significa redução de calotes em carteiras problemáticas, com o governo facilitando a recuperação de crédito.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/uso-do-fgts-para-pagar-dividas-no-desenrola-comeca-no-dia-25

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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