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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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60% dos trabalhadores formais podem ter jornada reduzida

Seis em cada dez trabalhadores com carteira assinada no Brasil — cerca de 35 milhões de pessoas — trabalham mais de 40 horas por semana, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2025, divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Esse contingente seria diretamente afetado caso as propostas de redução da jornada de trabalho avancem no Congresso.

Homem de camisa bege apontando para relógio de parede em ambiente de trabalho moderno com colegas ao fundo, jornada trabalho
Gestão do tempo no trabalho ganha relevância com possível flexibilização da jornada laboral.

Do total de 59,9 milhões de trabalhadores formais no Brasil, 58,38% cumprem jornadas entre 41 e 44 horas semanais, o que equivale à escala 6×1 — seis dias de trabalho seguidos por um de descanso. Outros 30,65%, ou 18,3 milhões de pessoas, trabalham entre 31 e 40 horas por semana, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

A jornada de trabalho é o número de horas que uma pessoa passa trabalhando durante a semana. No Brasil, a lei permite até 44 horas semanais, o que geralmente significa trabalhar 8 horas por dia de segunda a sábado, com um domingo de folga — a chamada escala 6×1. Caso as propostas em discussão no Congresso sejam aprovadas, quase 60% dos trabalhadores formais teriam suas escalas reduzidas.

O debate no Congresso

Atualmente, três propostas tramitam no Legislativo. A PEC da deputada Erika Hilton propõe reduzir a jornada para 36 horas semanais e adotar a escala 4×3 (quatro dias de trabalho, três de descanso). Já o deputado Reginaldo Lopes sugere a redução gradual para 36 horas em dez anos. O governo Lula também enviou um projeto de lei sobre o tema, e o consenso na Comissão de Constituição e Justiça aponta para um meio-termo: jornada de 40 horas e escala 5×2.

O relator das propostas na CCJ defendeu a criação de um período de transição para que diferentes setores da economia se adaptem, além de discutir possíveis compensações ao setor produtivo. A votação no plenário da Câmara está prevista para ocorrer até o fim de maio, segundo o presidente Hugo Motta.

Comparação internacional

A título de comparação, a França adotou a jornada de 35 horas semanais em 2000, tornando-se referência mundial em redução de jornada. Na Alemanha, muitos setores já operam com 35 a 38 horas semanais, enquanto nos Estados Unidos a jornada padrão permanece em 40 horas. O Brasil, com suas 44 horas semanais permitidas por lei, está entre os países com jornadas mais longas da América Latina.

O que muda na prática

Para o trabalhador, uma jornada reduzida significa mais tempo livre — imagine ter um dia extra de descanso por semana, como um sábado adicional para cuidar da família, estudar ou simplesmente descansar. Para as empresas, especialmente no comércio e serviços, a mudança pode exigir contratação de mais funcionários ou reorganização de turnos, o que aumentaria custos operacionais. O impacto econômico dependerá de como a transição será conduzida e se haverá compensações fiscais ou tributárias para os empregadores.

📊 Número do Dia

35 milhões , Número de trabalhadores formais no Brasil que trabalham mais de 40 horas por semana e seriam afetados pela redução da jornada

Por que isso importa

A redução da jornada de trabalho pode transformar a rotina de mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros, com impactos diretos na qualidade de vida, no mercado de trabalho e nos custos das empresas. Para o cidadão, significa potencialmente mais tempo livre; para as empresas, a necessidade de reorganizar operações e possivelmente contratar mais funcionários; para o investidor, setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, podem enfrentar pressão sobre margens de lucro durante a transição.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/05/seis-em-cada-dez-trabalhadores-com-carteira-assinada-tem-jornada-acima-de-40-horas-semanais.ghtml