Dario Durigan, ministro da Fazenda, já estava em São Paulo prestes a embarcar quando soube que o aeroporto de Moscou havia suspendido as operações. A viagem tinha como destino a Rússia, onde o ministro participaria da reunião anual do conselho do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — uma instituição criada pelos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. O fechamento do terminal russo ocorreu em meio a ataques com drones na região, reflexo da guerra entre Rússia e Ucrânia que se arrasta desde fevereiro de 2022.
Os principais aeroportos de Moscou têm registrado interrupções temporárias devido aos ataques. A situação é semelhante ao que ocorreu em outros conflitos recentes: durante a invasão russa à Ucrânia, aeroportos europeus próximos à zona de guerra também enfrentaram restrições de voo por questões de segurança. Para entender a gravidade: é como se o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, fechasse repentinamente por risco de ataque — nenhum voo decola ou pousa até nova ordem. O governo brasileiro não detalhou oficialmente o motivo específico do fechamento, mas a decisão coincide com a intensificação dos ataques entre os dois países.
Na Rússia, Durigan teria encontros bilaterais com a ex-presidenta Dilma Rousseff, atual presidente do NDB desde 2023 e reconduzida ao cargo em 2025. Um dos objetivos da viagem era discutir como os conflitos internacionais afetam a economia brasileira e quais estratégias de proteção o país pode adotar diante das crises globais. O tema é especialmente relevante porque guerras e tensões geopolíticas costumam elevar o preço de commodities (produtos básicos como petróleo, trigo e fertilizantes), impactando diretamente a inflação — ou seja, o aumento geral dos preços que corrói o poder de compra do brasileiro.
Apesar do cancelamento da etapa na Rússia, a agenda oficial em Paris está mantida, segundo o Ministério da Fazenda. Na capital francesa, Durigan participará de encontros ministeriais ligados ao G7 (grupo que reúne as sete maiores economias desenvolvidas do mundo: Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá) nos dias 18 e 19 de maio. A programação inclui reuniões com representantes do governo francês, encontros com integrantes do setor privado e atividades voltadas ao diálogo com a sociedade civil. O ministério informou que a equipe reorganiza os detalhes logísticos da viagem para a França e que uma nova data de embarque deverá ser definida.
📊 Número do Dia
2022 — Ano em que começou a guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito que ainda provoca fechamentos de aeroportos e tensões geopolíticas
Por que isso importa
O cancelamento da viagem expõe como conflitos internacionais afetam diretamente a agenda econômica brasileira. Para o cidadão, guerras distantes podem parecer irrelevantes, mas elevam o preço de alimentos, combustíveis e fertilizantes — produtos que o Brasil importa ou exporta. Para o governo, participar de fóruns como o Banco dos Brics e o G7 é essencial para negociar financiamentos de infraestrutura e proteger a economia de choques externos. A impossibilidade de viajar à Rússia ilustra como a instabilidade geopolítica limita até mesmo a diplomacia econômica.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/durigan-cancela-viagem-russia-apos-fechamento-de-aeroporto












