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Durigan cancela ida à Rússia por fechamento de aeroporto

Ministro embarcaria para reunião do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics, mas ataques com drones suspenderam operações em Moscou
Homem de terno escuro segurando documentos em corredor de prédio governamental com bandeira do Brasil ao fundo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, cancelou nesta quarta-feira (13) a viagem oficial à Rússia após o fechamento do aeroporto de Moscou. Ele participaria de reuniões do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics.

Dario Durigan, ministro da Fazenda, já estava em São Paulo prestes a embarcar quando soube que o aeroporto de Moscou havia suspendido as operações. A viagem tinha como destino a Rússia, onde o ministro participaria da reunião anual do conselho do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — uma instituição criada pelos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. O fechamento do terminal russo ocorreu em meio a ataques com drones na região, reflexo da guerra entre Rússia e Ucrânia que se arrasta desde fevereiro de 2022.

Os principais aeroportos de Moscou têm registrado interrupções temporárias devido aos ataques. A situação é semelhante ao que ocorreu em outros conflitos recentes: durante a invasão russa à Ucrânia, aeroportos europeus próximos à zona de guerra também enfrentaram restrições de voo por questões de segurança. Para entender a gravidade: é como se o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, fechasse repentinamente por risco de ataque — nenhum voo decola ou pousa até nova ordem. O governo brasileiro não detalhou oficialmente o motivo específico do fechamento, mas a decisão coincide com a intensificação dos ataques entre os dois países.

Na Rússia, Durigan teria encontros bilaterais com a ex-presidenta Dilma Rousseff, atual presidente do NDB desde 2023 e reconduzida ao cargo em 2025. Um dos objetivos da viagem era discutir como os conflitos internacionais afetam a economia brasileira e quais estratégias de proteção o país pode adotar diante das crises globais. O tema é especialmente relevante porque guerras e tensões geopolíticas costumam elevar o preço de commodities (produtos básicos como petróleo, trigo e fertilizantes), impactando diretamente a inflação — ou seja, o aumento geral dos preços que corrói o poder de compra do brasileiro.

Apesar do cancelamento da etapa na Rússia, a agenda oficial em Paris está mantida, segundo o Ministério da Fazenda. Na capital francesa, Durigan participará de encontros ministeriais ligados ao G7 (grupo que reúne as sete maiores economias desenvolvidas do mundo: Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá) nos dias 18 e 19 de maio. A programação inclui reuniões com representantes do governo francês, encontros com integrantes do setor privado e atividades voltadas ao diálogo com a sociedade civil. O ministério informou que a equipe reorganiza os detalhes logísticos da viagem para a França e que uma nova data de embarque deverá ser definida.

📊 Número do Dia

2022 — Ano em que começou a guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito que ainda provoca fechamentos de aeroportos e tensões geopolíticas

Por que isso importa

O cancelamento da viagem expõe como conflitos internacionais afetam diretamente a agenda econômica brasileira. Para o cidadão, guerras distantes podem parecer irrelevantes, mas elevam o preço de alimentos, combustíveis e fertilizantes — produtos que o Brasil importa ou exporta. Para o governo, participar de fóruns como o Banco dos Brics e o G7 é essencial para negociar financiamentos de infraestrutura e proteger a economia de choques externos. A impossibilidade de viajar à Rússia ilustra como a instabilidade geopolítica limita até mesmo a diplomacia econômica.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/durigan-cancela-viagem-russia-apos-fechamento-de-aeroporto

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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