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Mineradora de Bitcoin TeraWulf perde US$ 427 milhões

Mineradora de Bitcoin TeraWulf registra prejuízo de US$ 427 milhões no primeiro trimestre de 2025. Receita de IA supera mineração pela primeira vez.
A TeraWulf, mineradora de Bitcoin listada em bolsa nos Estados Unidos, registrou prejuízo líquido de US$ 427 milhões no primeiro trimestre de 2025, segundo reportagem da Decrypt publicada em 8 de maio. A empresa, que também opera data centers, viu sua receita de inteligência artificial superar pela primeira vez a receita de mineração de Bitcoin.

A TeraWulf, empresa americana que minera Bitcoin (ou seja, usa computadores potentes para validar transações da rede e ganhar moedas novas em troca) e opera data centers, reportou prejuízo de US$ 427 milhões no primeiro trimestre de 2025, conforme reportou a Decrypt. O valor equivale a cerca de R$ 2,4 bilhões na cotação atual, perda superior ao patrimônio líquido de muitas empresas de tecnologia listadas na B3.

O dado mais relevante do balanço, porém, não foi o prejuízo em si, mas a mudança de perfil de receita. Pela primeira vez na história da companhia, a receita gerada por serviços de inteligência artificial (aluguel de capacidade de processamento para empresas de IA) superou a receita de mineração de Bitcoin. A TeraWulf vem diversificando suas operações desde 2023, aproveitando a mesma infraestrutura de energia e refrigeração usada para minerar criptomoedas para oferecer poder computacional a clientes de IA.

A virada reflete um movimento mais amplo no setor de mineração de Bitcoin. Após o halving de abril de 2024 (corte programado que reduziu pela metade a quantidade de novos Bitcoins criados a cada bloco minerado), muitas mineradoras viram suas margens de lucro encolherem. Para contextualizar, o halving funciona como uma redução forçada na produção de uma commodity: imagine que, de uma hora para outra, a fabricação de chips de computador fosse cortada pela metade. Quem depende exclusivamente dessa produção precisa encontrar outras fontes de receita ou enfrentar queda de faturamento.

Para o investidor brasileiro, o caso da TeraWulf ilustra um risco pouco discutido nos fundos e ETFs de mineração disponíveis no mercado local. Empresas de mineração enfrentam volatilidade dupla: do preço do Bitcoin e dos custos operacionais (energia, equipamentos, refrigeração). Segundo dados públicos da CoinGecko, o Bitcoin acumula alta de cerca de 12% em 2025 (em janela de janeiro a maio), mas isso não se traduz automaticamente em lucro para mineradoras, especialmente após o halving.

A aposta em inteligência artificial pode ser uma saída estratégica. Data centers de IA e de mineração de Bitcoin compartilham necessidades semelhantes: energia abundante e barata, sistemas de refrigeração robustos e conexão estável à internet. A TeraWulf está, na prática, alugando sua infraestrutura para um mercado em expansão acelerada, o de processamento para modelos de linguagem e aprendizado de máquina. A título de comparação, empresas brasileiras de data center como Equinix e Ascenty têm visto demanda crescente por capacidade de IA, embora nenhuma delas tenha histórico de mineração de criptomoedas.

O prejuízo de US$ 427 milhões, segundo a Decrypt, inclui ajustes contábeis e depreciação de equipamentos de mineração, cujo valor de mercado caiu após o halving. Não se trata, portanto, de perda operacional pura, mas de reavaliação de ativos em um cenário de margens mais apertadas. Ainda assim, o número chama atenção para a fragilidade de modelos de negócio baseados exclusivamente em mineração de Bitcoin, especialmente em períodos de baixa volatilidade de preço (o Bitcoin oscilou entre US$ 85 mil e US$ 95 mil nos primeiros quatro meses de 2025, segundo dados da CoinGecko).

📊 Número do Dia

US$ 427 milhões , Prejuízo líquido da TeraWulf no primeiro trimestre de 2025, refletindo ajustes contábeis e queda na rentabilidade da mineração de Bitcoin após o halving de 2024.

Por que isso importa

O caso da TeraWulf mostra que mineradoras de Bitcoin enfrentam pressão crescente para diversificar receitas após o halving de 2024. Para investidores brasileiros expostos a fundos de mineração ou ETFs temáticos, o episódio reforça a importância de entender que essas empresas não acompanham automaticamente a valorização do Bitcoin. A migração para inteligência artificial pode ser uma tendência de longo prazo no setor, mas ainda carrega incertezas sobre rentabilidade e competição com players tradicionais de data center.


Fonte original: https://decrypt.co/367309/terawulfs-ai-compute-revenue-outpaces-bitcoin-mining-amid-427-million-loss

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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