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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Mineradora de Bitcoin TeraWulf perde US$ 427 milhões

A TeraWulf, mineradora de Bitcoin listada em bolsa nos Estados Unidos, registrou prejuízo líquido de US$ 427 milhões no primeiro trimestre de 2025, segundo reportagem da Decrypt publicada em 8 de maio. A empresa, que também opera data centers, viu sua receita de inteligência artificial superar pela primeira vez a receita de mineração de Bitcoin.

Executivo de camisa cinza lendo relatório trimestral da TeraWulf em data center com servidores de mineração Bitcoin
Análise de resultados financeiros em centro de processamento de criptomoedas reflete desafios do setor.

A TeraWulf, empresa americana que minera Bitcoin (ou seja, usa computadores potentes para validar transações da rede e ganhar moedas novas em troca) e opera data centers, reportou prejuízo de US$ 427 milhões no primeiro trimestre de 2025, conforme reportou a Decrypt. O valor equivale a cerca de R$ 2,4 bilhões na cotação atual, perda superior ao patrimônio líquido de muitas empresas de tecnologia listadas na B3.

O dado mais relevante do balanço, porém, não foi o prejuízo em si, mas a mudança de perfil de receita. Pela primeira vez na história da companhia, a receita gerada por serviços de inteligência artificial (aluguel de capacidade de processamento para empresas de IA) superou a receita de mineração de Bitcoin. A TeraWulf vem diversificando suas operações desde 2023, aproveitando a mesma infraestrutura de energia e refrigeração usada para minerar criptomoedas para oferecer poder computacional a clientes de IA.

A virada reflete um movimento mais amplo no setor de mineração de Bitcoin. Após o halving de abril de 2024 (corte programado que reduziu pela metade a quantidade de novos Bitcoins criados a cada bloco minerado), muitas mineradoras viram suas margens de lucro encolherem. Para contextualizar, o halving funciona como uma redução forçada na produção de uma commodity: imagine que, de uma hora para outra, a fabricação de chips de computador fosse cortada pela metade. Quem depende exclusivamente dessa produção precisa encontrar outras fontes de receita ou enfrentar queda de faturamento.

Para o investidor brasileiro, o caso da TeraWulf ilustra um risco pouco discutido nos fundos e ETFs de mineração disponíveis no mercado local. Empresas de mineração enfrentam volatilidade dupla: do preço do Bitcoin e dos custos operacionais (energia, equipamentos, refrigeração). Segundo dados públicos da CoinGecko, o Bitcoin acumula alta de cerca de 12% em 2025 (em janela de janeiro a maio), mas isso não se traduz automaticamente em lucro para mineradoras, especialmente após o halving.

A aposta em inteligência artificial pode ser uma saída estratégica. Data centers de IA e de mineração de Bitcoin compartilham necessidades semelhantes: energia abundante e barata, sistemas de refrigeração robustos e conexão estável à internet. A TeraWulf está, na prática, alugando sua infraestrutura para um mercado em expansão acelerada, o de processamento para modelos de linguagem e aprendizado de máquina. A título de comparação, empresas brasileiras de data center como Equinix e Ascenty têm visto demanda crescente por capacidade de IA, embora nenhuma delas tenha histórico de mineração de criptomoedas.

O prejuízo de US$ 427 milhões, segundo a Decrypt, inclui ajustes contábeis e depreciação de equipamentos de mineração, cujo valor de mercado caiu após o halving. Não se trata, portanto, de perda operacional pura, mas de reavaliação de ativos em um cenário de margens mais apertadas. Ainda assim, o número chama atenção para a fragilidade de modelos de negócio baseados exclusivamente em mineração de Bitcoin, especialmente em períodos de baixa volatilidade de preço (o Bitcoin oscilou entre US$ 85 mil e US$ 95 mil nos primeiros quatro meses de 2025, segundo dados da CoinGecko).

📊 Número do Dia

US$ 427 milhões , Prejuízo líquido da TeraWulf no primeiro trimestre de 2025, refletindo ajustes contábeis e queda na rentabilidade da mineração de Bitcoin após o halving de 2024.

Por que isso importa

O caso da TeraWulf mostra que mineradoras de Bitcoin enfrentam pressão crescente para diversificar receitas após o halving de 2024. Para investidores brasileiros expostos a fundos de mineração ou ETFs temáticos, o episódio reforça a importância de entender que essas empresas não acompanham automaticamente a valorização do Bitcoin. A migração para inteligência artificial pode ser uma tendência de longo prazo no setor, mas ainda carrega incertezas sobre rentabilidade e competição com players tradicionais de data center.


Fonte original: https://decrypt.co/367309/terawulfs-ai-compute-revenue-outpaces-bitcoin-mining-amid-427-million-loss