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SoFi fatura US$ 121 milhões com cripto, mas lucro some em custos

SoFi gerou US$ 121,6 milhões em receita cripto no 1º trimestre de 2026, mas custos consumiram quase tudo. Entenda o desafio de margem em fintechs cripto.
A SoFi, fintech americana de serviços financeiros, gerou US$ 121,6 milhões em receita de transações cripto no primeiro trimestre de 2026, segundo reportagem da CoinDesk publicada em 7 de maio. Quase todo o valor, porém, foi consumido por custos operacionais, deixando pouca margem de lucro.

A SoFi relançou sua operação de criptomoedas em dezembro de 2025, apostando em duas frentes: uma stablecoin (moeda digital atrelada ao dólar, que mantém valor estável mesmo quando o mercado balança) chamada SoFiUSD, voltada para pagamentos corporativos, e uma parceria com a Mastercard para liquidação de transações. Conforme reportou a CoinDesk, a receita de US$ 121,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (período de janeiro a março) representa o retorno da empresa ao mercado cripto após anos de operação discreta nesse segmento.

O problema está na margem. Praticamente toda a receita foi absorvida por custos operacionais, o que significa que a empresa ainda não conseguiu transformar volume em lucro efetivo nessa linha de negócio. A título de comparação, no mercado tradicional de ações, corretoras brasileiras como XP e BTG costumam operar com margens de 20% a 30% sobre receita de corretagem. No caso da SoFi, a margem operacional em cripto ficou próxima de zero no trimestre analisado.

A SoFiUSD é uma stablecoin voltada para empresas que precisam fazer pagamentos internacionais ou liquidar transações de forma rápida e barata, sem depender de bancos tradicionais. A parceria com a Mastercard permite que a SoFi ofereça capacidade de liquidação (ou seja, a confirmação final de uma transação financeira) usando infraestrutura da gigante de cartões, o que pode reduzir custos no futuro. Segundo conhecimento de mercado, stablecoins corporativas competem diretamente com sistemas de pagamento tradicionais como SWIFT e Pix internacional, oferecendo velocidade e custos menores em tese.

Para o investidor brasileiro, o caso da SoFi ilustra um padrão observado em fintechs que entram no mercado cripto: volume alto não garante rentabilidade imediata. Empresas como Mercado Bitcoin e Nubia (braço cripto do Nubank) também enfrentam o desafio de equilibrar crescimento de base de usuários com margens operacionais positivas. Historicamente, negócios de infraestrutura cripto (exchanges, emissores de stablecoins, custódia) exigem investimento pesado em tecnologia, compliance (conformidade regulatória) e segurança antes de gerarem lucro consistente.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Banco Central brasileiro ainda não regulamentaram stablecoins de forma definitiva, embora o projeto Drex (real digital do Banco Central) avance em testes. Empresas brasileiras que queiram emitir stablecoins enfrentam vácuo regulatório, diferentemente dos EUA, onde a SoFi opera sob supervisão de autoridades financeiras estaduais e federais.

📊 Número do Dia

US$ 121,6 milhões , Receita de transações cripto da SoFi no primeiro trimestre de 2026, quase toda consumida por custos operacionais.

Por que isso importa

O caso da SoFi mostra que volume de transações cripto não se traduz automaticamente em lucro. Para fintechs brasileiras que apostam em stablecoins e infraestrutura cripto, a lição é clara: escala sem margem operacional positiva é crescimento insustentável. Investidores devem observar não apenas receita, mas rentabilidade efetiva ao avaliar empresas do setor.


Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/05/07/sofi-s-relaunched-crypto-business-generated-usd121-6-million-in-q1-transaction-revenue

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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