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Kraken compra fintech asiática de stablecoins por US$ 600 milhões

Kraken compra fintech asiática Reap por US$ 600 milhões, sua maior aquisição, para expandir pagamentos transfronteiriços com stablecoins na Ásia.
A controladora da exchange Kraken adquiriu a Reap, empresa asiática especializada em stablecoins (moedas digitais atreladas a moedas tradicionais, como o dólar), por US$ 600 milhões, segundo reportagem da Bloomberg publicada em 7 de maio de 2025. O negócio representa a maior aquisição já feita pela plataforma de criptomoedas.

A Kraken, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, acaba de fazer sua maior compra: a Reap, fintech asiática focada em stablecoins, por US$ 600 milhões. Segundo reportagem da Bloomberg, a operação marca a entrada agressiva da empresa no mercado de pagamentos transfronteiriços (transferências internacionais de dinheiro) na Ásia, usando infraestrutura de moedas digitais estáveis.

Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor fixo, geralmente atrelado ao dólar americano. Pense nelas como um real digital que vale sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado de cripto balança. Essa característica as torna ideais para pagamentos e transferências, já que eliminam a volatilidade típica do Bitcoin ou Ethereum. A Reap opera justamente nesse nicho: facilita pagamentos entre países asiáticos usando stablecoins como trilho de transferência, reduzindo custos e tempo em comparação com o sistema bancário tradicional.

Para contextualizar o tamanho da operação: US$ 600 milhões equivalem a cerca de R$ 3,4 bilhões na cotação atual (considerando dólar a R$ 5,70). A título de comparação, esse valor supera o patrimônio líquido de muitas fintechs brasileiras consolidadas. A aquisição sinaliza que grandes exchanges globais estão migrando de um modelo focado apenas em negociação de criptomoedas para serviços financeiros mais amplos, especialmente pagamentos.

Segundo conhecimento de mercado, a Ásia concentra o maior volume de remessas internacionais do mundo, com milhões de trabalhadores enviando dinheiro para suas famílias em outros países. O sistema bancário tradicional cobra taxas elevadas e demora dias para processar essas transferências. Stablecoins podem fazer o mesmo em minutos, com custos menores. A Kraken aposta que essa infraestrutura será o futuro dos pagamentos na região, competindo diretamente com bancos e operadoras de remessa tradicionais.

Para o investidor brasileiro, o movimento reforça uma tendência: stablecoins deixaram de ser apenas instrumentos de trading (compra e venda) e tornaram-se infraestrutura de pagamento real. No Brasil, o Banco Central desenvolve o Drex, sua moeda digital oficial, com propósito semelhante. Empresas como a Kraken estão construindo a camada privada desse ecossistema, enquanto governos desenvolvem suas versões públicas.

📊 Número do Dia

US$ 600 milhões , Valor pago pela Kraken na aquisição da Reap, sua maior compra até hoje, equivalente a cerca de R$ 3,4 bilhões

Por que isso importa

A aquisição mostra que grandes exchanges estão deixando de ser apenas plataformas de negociação para se tornarem provedoras de infraestrutura financeira global. Stablecoins passam a competir diretamente com bancos em pagamentos internacionais, oferecendo velocidade e custos menores. Para o Brasil, onde remessas e pagamentos transfronteiriços movimentam bilhões anualmente, o modelo pode inspirar soluções locais e pressionar o sistema bancário tradicional a reduzir tarifas. O avanço do Drex caminha em paralelo, mas com controle estatal, enquanto empresas privadas como a Kraken constroem alternativas descentralizadas.


Fonte original: https://decrypt.co/367094/kraken-parent-acquires-asian-stablecoin-firm-reap-600-million

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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