Os golpes digitais no Brasil explodiram nos últimos meses, colocando o país no centro do mapa global de crimes cibernéticos. Dados da Kaspersky revelam que foram bloqueadas 553 milhões de tentativas de phishing — aqueles e-mails, mensagens ou sites falsos que tentam roubar senhas e dados bancários — entre 2024 e 2025. O aumento de 80% em relação ao período anterior reflete a sofisticação crescente dos ataques, que agora usam inteligência artificial para criar mensagens cada vez mais convincentes.
O impacto já é sentido pela população: cerca de 51% dos brasileiros foram vítimas de golpes ou fraudes digitais em 2024, segundo pesquisa do Serasa Experian. Isso significa que um em cada dois brasileiros caiu em algum tipo de armadilha digital no ano passado — seja um falso boleto, um link malicioso ou uma ligação se passando por banco. A título de comparação, nos Estados Unidos, esse índice gira em torno de 30%, segundo dados do FBI, o que mostra que o Brasil enfrenta um problema proporcionalmente maior.
A engenharia social — técnica que manipula pessoas para que revelem informações confidenciais — continua sendo a principal arma dos criminosos. “Grande parte dos incidentes de segurança da informação está relacionada ao fator humano. O simples clique em um link malicioso pode evoluir para um ataque de maior complexidade”, afirma Rafael Susskind, sócio da DPO Expert, consultoria especializada em proteção de dados. É como se os golpistas não precisassem arrombar a porta: basta convencer alguém a abri-la.
O Brasil também lidera o ranking regional de ameaças cibernéticas. Segundo o relatório do FortiGuard Labs da Fortinet, o país concentrou 84% das atividades maliciosas detectadas na América Latina no primeiro semestre de 2025. Esse protagonismo negativo reflete tanto a digitalização acelerada da economia brasileira — com mais transações online e dados circulando — quanto a ainda frágil cultura de segurança em empresas e entre consumidores.
O que muda para empresas e cidadãos
Para as empresas, o cenário pressiona por investimentos em segurança da informação e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação brasileira, em vigor desde 2020, exige que organizações implementem controles de segurança, avaliem riscos e adotem boas práticas para proteger informações pessoais. Empresas que não se adequarem podem sofrer multas de até 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de danos à reputação.
Para o cidadão comum, a recomendação é redobrar a atenção: desconfiar de mensagens urgentes pedindo dados pessoais, verificar a autenticidade de links antes de clicar e ativar autenticação em duas etapas (aquela senha extra que chega por SMS ou aplicativo) em contas bancárias e redes sociais. Especialistas recomendam ainda treinamento periódico de colaboradores e políticas internas claras de resposta a incidentes como medidas essenciais para reduzir a exposição a ataques.
📊 Número do Dia
553 milhões , Tentativas de phishing bloqueadas no Brasil nos últimos 12 meses, crescimento de 80% em relação ao período anterior
Por que isso importa
O aumento explosivo dos golpes digitais eleva custos para empresas — que precisam investir em segurança e conformidade com a LGPD — e expõe consumidores a perdas financeiras e vazamento de dados pessoais. Com metade dos brasileiros já vítimas de fraudes, o tema deixou de ser técnico e virou questão de sobrevivência econômica para negócios e famílias. A pressão regulatória tende a crescer, tornando a segurança da informação um diferencial competitivo e uma obrigação legal cada vez mais fiscalizada.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/05/04/golpes-digitais-no-brasil-crescem-e-elevam-riscos-1.ghtml












