Pular para o conteúdo
segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

São Paulo terá ‘Times Square’ com R$ 42 milhões privados

A partir de setembro, o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no Centro de São Paulo, receberá quatro painéis gigantes de LED e terá ruas fechadas para carros nos fins de semana. O projeto Boulevard São João é uma iniciativa privada com investimento de R$ 42 milhões e aprovação da Prefeitura.

Trabalhadores instalando grande tela branca em cruzamento urbano cercado por edifícios comerciais investimento privado
Instalação de equipamento audiovisual marca início do projeto Times Square paulistano com R$ 42 milhões.

O Centro de São Paulo vai ganhar uma versão local da Times Square de Nova York, com telões gigantes de LED iluminando edifícios históricos. A partir de setembro, quatro painéis serão instalados no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga — um dos endereços mais simbólicos da capital paulista. O maior deles, no Edifício New York, terá 1.000 m² (equivalente a cerca de três quadras de tênis), ocupando praticamente toda a fachada do prédio com 40 metros de largura por 25 de altura.

O projeto, batizado de Boulevard São João, é tocado pela Fábrica de Bares (dona do Bar Brahma) e prevê investimento total de R$ 42 milhões — todo ele privado, sem uso de recursos públicos. Em troca da autorização para explorar publicidade nos telões, a empresa se comprometeu a investir R$ 8 milhões em melhorias urbanas, incluindo o restauro de três monumentos históricos da região. Entre eles estão a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída no século XVIII por irmandades de escravizados, e a Estátua da Mãe Preta, que homenageia mulheres negras escravizadas.

Como funcionarão os telões

Os painéis operarão das 5h às 23h, sem emissão de áudio. Setenta por cento do tempo de exibição será dedicado a conteúdo não comercial: agenda cultural de teatros, campanhas de saúde pública, informações da prefeitura e conteúdos educativos. Apenas 30% poderão ser comercializados como publicidade institucional — ficam proibidos anúncios de varejo, apostas esportivas, conteúdo adulto, político ou religioso, segundo o acordo com a Prefeitura.

A luminosidade será ajustada automaticamente conforme o horário do dia, e cada imagem deve permanecer na tela por no mínimo 10 segundos, para evitar distrações que possam afetar motoristas. A fiscalização ficará a cargo da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), que pode determinar desde ajustes até a suspensão das atividades em caso de descumprimento.

Ruas fechadas e programação cultural

Além dos telões, o projeto redesenha o uso do espaço público. Aos fins de semana, a Avenida São João será fechada para veículos entre 18h de sábado e 23h de domingo — funcionando como um pedaço de rua exclusivo para pedestres, similar ao que acontece na Avenida Paulista aos domingos. Quatro palcos fixos serão montados ao longo do corredor para apresentações musicais, com estimativa de 29 horas de atividades culturais por fim de semana.

A curadoria das atrações será compartilhada por um comitê formado pela Fábrica de Bares, Prefeitura e governo estadual. Segundo a empresa, a seleção de artistas utilizará o banco de dados do aplicativo Eshows, que reúne cerca de 5.000 músicos cadastrados, priorizando talentos locais e de pequeno porte. A inspiração declarada é a Feira de San Telmo, em Buenos Aires, que combina gastronomia, artesanato e música ao vivo em espaço público. A título de comparação, a feira portenha atrai cerca de 10 mil visitantes por domingo e se tornou um dos principais pontos turísticos da capital argentina.

O que mudou no Centro

O cruzamento da São João com a Ipiranga não é apenas uma esquina movimentada — é um endereço com peso simbólico. Durante boa parte do século XX, aquela região concentrava cinemas, teatros, bares, livrarias e redações de jornais, formando o coração cultural da cidade. A decadência veio gradualmente nas décadas de 1980 e 1990, com a expansão da cidade em direção aos bairros nobres e o esvaziamento comercial do Centro.

Hoje, o Centro ainda concentra terminais de ônibus, estações de metrô e uma densidade de comércio popular que atrai milhares de trabalhadores por dia. Mas a permanência é pequena: as pessoas passam, não ficam. O projeto aposta que a combinação de telões, programação cultural e melhorias urbanas pode reverter esse quadro, transformando o trecho em destino de lazer, não apenas de passagem.

Prazo e contrapartidas

O acordo tem prazo de 36 meses (três anos). Ao término, os telões precisam ser retirados, e todas as melhorias urbanas — calçadas requalificadas, monumentos restaurados, praças reformadas — passam a integrar definitivamente o patrimônio público. É como se a cidade alugasse o espaço visual dos edifícios em troca de uma reforma geral do bairro, paga pela iniciativa privada.

📊 Número do Dia

R$ 42 milhões , Investimento privado total no projeto Boulevard São João, que transforma o Centro histórico de SP

Por que isso importa

Para o cidadão, o projeto pode significar a revitalização de uma região histórica degradada, com mais opções de lazer gratuito aos fins de semana e recuperação de monumentos públicos. Para empresas, abre uma nova vitrine publicitária em área de grande circulação (o Centro concentra terminais de transporte e milhares de trabalhadores diários), embora com regras rígidas de conteúdo. Para investidores, sinaliza um modelo de parceria público-privada em que a iniciativa privada financia melhorias urbanas em troca de exploração comercial limitada — um formato que pode se replicar em outras cidades brasileiras.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/02/times-square-paulistana-veja-onde-e-como-serao-os-teloes-de-led-no-centro-de-sp.ghtml