O Brasil ultrapassou a marca de R$ 300 bilhões em investimentos acumulados em energia solar, considerando tanto grandes usinas quanto sistemas instalados em residências e empresas. Os dados, divulgados pela Absolar, mostram que o país construiu na última década uma das maiores capacidades solares do mundo, com 68,6 gigawatts (GW) em operação — o suficiente para abastecer dezenas de milhões de residências. Para ter uma ideia do que isso representa, um gigawatt é a potência de uma usina nuclear de médio porte.
A energia solar já responde por 25,3% da matriz elétrica brasileira, tornando-se a segunda maior fonte do país, atrás apenas das hidrelétricas. O setor gerou mais de 2 milhões de empregos na última década e arrecadou R$ 95,9 bilhões em impostos, segundo a Absolar. Esses números colocam o Brasil entre os líderes globais em capacidade solar instalada, ao lado de China, Estados Unidos e Índia — embora ainda distante da China, que sozinha concentra cerca de um terço da capacidade mundial.
Desaceleração preocupa o setor
Apesar do avanço acumulado, o ritmo de crescimento caiu drasticamente. A potência adicionada à matriz energética recuou 25,6% em 2025, passando de 15,6 GW no ano anterior para 11,6 GW. É como se o Brasil tivesse pisado no freio justamente quando a transição energética global acelera: a título de comparação, a União Europeia estabeleceu metas de dobrar sua capacidade solar até 2030, enquanto os Estados Unidos aprovaram subsídios bilionários para energias renováveis.
Entre os principais obstáculos estão os cortes na geração de usinas que produzem energia excedente — sem compensação financeira aos empreendedores — e dificuldades de conexão para pequenos sistemas, relacionadas à capacidade limitada das redes elétricas. Segundo Barbara Rubim, presidente eleita do conselho da Absolar, esses entraves resultaram em fechamento de empresas, cancelamento de investimentos e redução de empregos. O setor defende mudanças regulatórias que podem ser feitas por decretos presidenciais, sem necessidade de aprovação no Congresso.
Distribuição pelo país
A energia solar está presente em mais de 5 mil municípios brasileiros, com destaque para Minas Gerais, que lidera tanto em grandes usinas (8,6 GW) quanto em geração distribuída (5,8 GW). São Paulo concentra a maior capacidade de pequenos sistemas (6,5 GW), enquanto Bahia e Piauí se destacam em usinas de grande porte. Essa distribuição geográfica ampla diferencia o Brasil de países como a Alemanha, onde a geração solar é mais concentrada no sul do país.
A Absolar defende a regulamentação do armazenamento de energia elétrica (baterias que guardam energia solar para uso noturno, por exemplo) e incentivos fiscais para tecnologias complementares, como o hidrogênio verde — um combustível produzido com energia renovável que pode substituir o diesel em caminhões e navios. Essas medidas são vistas como essenciais para retomar o crescimento sustentável do setor e evitar que o Brasil perca competitividade na corrida global pela transição energética.
📊 Número do Dia
R$ 300 bilhões — Investimentos acumulados em energia solar no Brasil, somando grandes usinas e sistemas de geração própria
Por que isso importa
Para o cidadão, a expansão da energia solar significa contas de luz mais baratas no longo prazo, já que a fonte é mais barata que termelétricas. Para empresas, representa oportunidade de reduzir custos operacionais com geração própria, mas também riscos de fechamento se os entraves regulatórios persistirem. Para investidores, o setor oferece potencial de retorno em um mercado de US$ 1,5 trilhão globalmente, mas exige atenção às mudanças regulatórias que podem afetar a rentabilidade dos projetos.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/energia-solar-supera-r-300-bilhoes-em-investimentos












