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Exportações de café caem 21% no primeiro trimestre

Receita de US$ 3,37 bilhões representa queda de 13,6% mesmo com projeção de safra recorde no país
Trabalhador supervisionando carregamento de caminhão com sacas de café em armazém, exportações agronegócio
O Brasil exportou 8,4 milhões de sacas de café de 60 quilos entre janeiro e março de 2026, volume 21,2% inferior ao mesmo período de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A receita com as vendas externas também recuou 13,6%, para US$ 3,371 bilhões.

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, registrou queda acentuada nas exportações do grão no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados divulgados pelo Cecafé nesta segunda-feira, o país embarcou 8,4 milhões de sacas de 60 quilos entre janeiro e março — volume 21,2% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. A receita obtida com essas vendas também caiu 13,6%, totalizando US$ 3,371 bilhões.

O movimento de queda se manteve em março, quando os embarques recuaram 8% na comparação anual, atingindo 3 milhões de sacas. A receita do mês ficou em US$ 1,125 bilhão, retração de 15,1% em relação a março de 2025. Esses números chamam atenção porque ocorrem em um momento em que o setor projeta uma safra recorde para o país — o que, em tese, deveria facilitar maiores volumes de exportação.

Contexto internacional

A título de comparação, o Brasil responde por cerca de um terço da produção mundial de café, posição que mantém há décadas. Vietnã, segundo maior exportador global, concentra-se principalmente no café robusta (variedade mais amarga, usada em cafés solúveis e blends comerciais), enquanto o Brasil domina o mercado de arábica (grão mais suave e aromático, preferido em cafés especiais). A queda nas exportações brasileiras pode pressionar preços globais e afetar a oferta em mercados importadores como Estados Unidos e Europa, que dependem fortemente do café brasileiro.

O que explica a queda

Embora o Cecafé não tenha detalhado as causas da retração, quedas nas exportações de commodities agrícolas (produtos básicos como café, soja, milho) costumam estar ligadas a fatores como retenção de estoques pelos produtores na expectativa de melhores preços, problemas logísticos ou mudanças na demanda internacional. No caso do café, a combinação de safra recorde prevista com queda nos embarques sugere que parte da produção pode estar sendo retida no mercado interno ou aguardando janelas de preço mais favoráveis.

📊 Número do Dia

21,2% — Queda nas exportações brasileiras de café no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025

Por que isso importa

Para o produtor rural, a queda nas exportações em momento de safra recorde pode sinalizar dificuldades de escoamento ou estratégia de retenção que pressiona a renda no curto prazo. Para o consumidor brasileiro, a retenção de estoques pode manter preços internos mais estáveis, mas eventual valorização externa do café tende a encarecer o produto no mercado doméstico. Para o país, a redução de 13,6% na receita de exportação afeta o saldo da balança comercial (diferença entre o que o Brasil vende e compra do exterior) em um setor historicamente superavitário.


Fonte original: https://en.mercopress.com/2026/04/14/brazil-coffee-exports-fall-21-in-q1-despite-record-crop-forecast?utm_source=feed&utm_medium=rss&utm_content=brazil&utm_campaign=rss

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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