O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o governo enviará ao Congresso Nacional, ainda nesta semana, um projeto de lei sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana com apenas um de descanso. Segundo o Globo, a proposta deve prever redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário, apostando que os ganhos de produtividade proporcionados por inovações tecnológicas compensarão a mudança.
Antes de enviar o texto, Lula deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar a estratégia política. A iniciativa do governo ocorre enquanto já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o mesmo tema, apresentada no ano passado. Motta já sinalizou que o envio do projeto de lei pelo Executivo não deve alterar o andamento da PEC.
Resistência do setor produtivo
Apesar do forte apelo popular, a proposta enfrenta resistência de setores empresariais, especialmente indústria, comércio e agricultura, que temem impactos na produtividade e nos lucros. Segundo o Globo, a CCJ marcou para esta semana uma audiência pública com confederações desses setores para debater os efeitos econômicos da medida. A comissão é responsável por analisar a constitucionalidade das propostas antes que avancem para outras etapas do processo legislativo.
A discussão ganha relevância em meio ao calendário eleitoral, quando temas com apelo social costumam ganhar tração política. A proposta é vista como uma tentativa de modernizar as relações de trabalho no Brasil, onde a jornada semanal pode chegar a 44 horas — superior à média de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), onde a jornada típica gira em torno de 35 a 40 horas semanais.
O debate internacional
A título de comparação, países como França e Alemanha já adotaram jornadas reduzidas há décadas. Na França, a semana de trabalho é limitada a 35 horas desde 2000, embora haja flexibilizações setoriais. A experiência internacional mostra que a redução de jornada pode aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas exige planejamento cuidadoso para evitar perda de competitividade empresarial.
No Brasil, a escala 6×1 é comum em setores como comércio, saúde e serviços, onde a operação contínua é necessária. Imagine que um trabalhador do varejo tem apenas quatro folgas por mês — menos do que a maioria dos países desenvolvidos permite. A proposta busca equilibrar essa equação, mas o desafio está em como compensar as empresas pela redução de dias trabalhados sem comprometer empregos ou encarecer produtos e serviços.
📊 Número do Dia
6×1 , Escala de trabalho que o governo quer acabar, onde o trabalhador atua seis dias por semana com apenas um de descanso
Por que isso importa
Para o trabalhador, o fim da escala 6×1 pode significar mais tempo livre sem perda salarial, melhorando qualidade de vida. Para as empresas, especialmente pequenos comércios e indústrias, a mudança pode exigir contratações adicionais ou reorganização de turnos, impactando custos operacionais. Para o investidor, setores intensivos em mão de obra — como varejo, saúde e serviços — podem enfrentar pressão nas margens de lucro caso a proposta avance sem mecanismos de compensação. O debate também sinaliza a direção das políticas trabalhistas do governo, com potencial impacto em negociações coletivas e clima de negócios.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/13/escala-6×1-lula-diz-que-vai-enviar-projeto-ao-congresso-nesta-semana.ghtml












