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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Galípolo pede reforço orçamentário para Banco Central operar

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pediu aos senadores a aprovação da PEC 65/2023, que amplia a autonomia orçamentária e financeira da instituição. Segundo ele, o BC opera quase no limite da capacidade, com apenas metade dos cargos previstos ocupados.

Gabriel Galípolo gesticula durante audiência sobre PEC da autonomia orçamentária do Banco Central no Congresso Nacional
Galípolo apresenta argumentos sobre necessidade de reforço orçamentário para operação do BC.

O Banco Central brasileiro está funcionando com apenas 3,4 mil dos 6.470 cargos previstos em lei — cerca de metade da força de trabalho necessária. O alerta foi feito pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, ao depor na CPI do Crime Organizado do Senado nesta quarta-feira (8). Ele pediu a aprovação urgente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que confere ao BC autonomia técnica, orçamentária e financeira — ou seja, a capacidade de gerir seus próprios recursos, contratar pessoal e investir em tecnologia sem depender de aprovações do governo federal a cada passo.

“Desde a minha sabatina, eu já pedi apoio, ajuda e, agora, estou pedindo socorro”, afirmou Galípolo, segundo a Agência Brasil. Ele argumentou que a instituição depende “do senso de responsabilidade dos servidores públicos” para funcionar, mas enfrenta dificuldades estruturais para contratar e modernizar seus sistemas. A situação é crítica num momento em que o BC precisa fiscalizar um sistema financeiro cada vez mais complexo, com fintechs, criptomoedas e novos mecanismos de pagamento — além de colaborar no combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.

Para dimensionar o problema, Galípolo comparou o BC brasileiro com instituições semelhantes no exterior. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, conta com 23 mil servidores; o da Índia, com 13 mil. A título de comparação, o Banco Central Europeu emprega cerca de 3.500 pessoas, mas supervisiona apenas a política monetária da zona do euro — não o sistema financeiro de cada país, tarefa que cabe aos bancos centrais nacionais. No Brasil, o BC acumula ambas as funções: define a taxa básica de juros (a Selic, que influencia todos os demais juros da economia) e fiscaliza bancos, cooperativas de crédito e instituições de pagamento.

O que muda com a PEC

A PEC 65/2023 propõe transformar o Banco Central em uma empresa pública com poder de polícia, desvinculada de ministérios e com orçamento próprio. Na prática, é como se o BC deixasse de depender do Ministério da Economia para contratar ou comprar equipamentos — mas continuaria prestando contas ao Congresso Nacional. A proposta não altera a autonomia operacional do BC, conquistada em 2021, que já garante mandatos fixos para o presidente e diretores da instituição, impedindo demissões por divergências políticas. O que está em jogo agora é a capacidade de execução: ter gente e tecnologia suficientes para fazer o trabalho.

Galípolo frisou que autonomia não significa falta de controle. “De maneira nenhuma o BC quer se eximir da responsabilidade de prestar contas sobre qualquer centavo que gastar. Quanto mais instituições houver para o BC prestar contas, melhor”, disse, segundo a Agência Brasil. O argumento central é que, sem recursos adequados, o BC não consegue acompanhar a sofisticação do mercado financeiro nem as estratégias do crime organizado, que “encontra dinheiro para adquirir novas tecnologias e maneiras de burlar o sistema”.

📊 Número do Dia

3,4 mil — Número de servidores atualmente no Banco Central — apenas 53% dos 6.470 cargos previstos em lei, contra 23 mil no Federal Reserve dos EUA

Por que isso importa

Um Banco Central subdimensionado compromete a fiscalização do sistema financeiro e a eficácia da política monetária. Para o cidadão, isso pode significar menos proteção contra fraudes e golpes financeiros. Para empresas e investidores, aumenta o risco de instabilidade no sistema bancário e de falhas na supervisão de instituições. A aprovação da PEC é vista como condição para que o BC consiga acompanhar a inovação do mercado e combater crimes financeiros de forma eficaz.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/galipolo-pede-aprovacao-de-pec-que-preve-mais-autonomia-para-o-bc