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Empresas familiares brasileiras enfrentam crise de sucessão

Apenas 30% chegam à terceira geração de gestores, comprometendo negócios que geram metade do PIB nacional
Homem idoso sentado e mulher jovem em pé analisando papéis em escritório com fotos na parede sucessão empresarial
Nove em cada dez empresas brasileiras têm perfil familiar, empregam 75% da mão de obra e respondem por mais da metade do PIB. Mas dados do Banco Mundial mostram que apenas 30% delas sobrevivem à terceira geração — e só 15% vão além disso.

O Brasil tem uma economia fortemente dependente de empresas familiares, mas enfrenta um problema estrutural: a maioria delas não consegue passar o bastão para a terceira geração. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% das empresas do país são familiares. Elas empregam três em cada quatro trabalhadores brasileiros e geram mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) — ou seja, mais da metade de tudo o que o país produz em um ano.

Apesar dessa importância, dados do Banco Mundial revelam que apenas 30% dessas empresas chegam à terceira geração de gestores da mesma família. Metade disso — apenas 15% — consegue ir além da terceira sucessão. É como se, a cada dez empresas fundadas por avós, apenas três chegassem aos netos no comando, e só uma e meia aos bisnetos.

Por que tantas empresas não sobrevivem?

Rafael Bastos, sócio da consultoria MAM Trust & Equity, aponta que os principais problemas estão na centralização excessiva de poder, na sobreposição de papéis entre família e empresa, e na falta de planejamento sucessório. “É comum que herdeiros assumam cargos sem preparo adequado, movidos mais por laços familiares do que por competência técnica”, explica.

A solução passa por preparar os sucessores desde cedo. Isso inclui formação acadêmica em administração e finanças, experiência prática em diferentes setores da empresa e participação em decisões estratégicas. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) recomenda que o processo de sucessão seja planejado com antecedência — e, em alguns casos, que gestores profissionais de fora da família sejam contratados quando os herdeiros ainda não estão prontos.

Comparação internacional

O problema brasileiro não é único, mas é mais grave que em economias desenvolvidas. A título de comparação, nos Estados Unidos e na Europa, cerca de 40% das empresas familiares chegam à terceira geração, segundo estudos da Family Business Network — taxa superior aos 30% brasileiros. A diferença está em parte na cultura de governança corporativa mais madura e na separação mais clara entre gestão familiar e profissional.

📊 Número do Dia

30% , Percentual de empresas familiares brasileiras que chegam à terceira geração, segundo o Banco Mundial

Por que isso importa

Para o cidadão, a fragilidade na sucessão de empresas familiares significa risco de desemprego e instabilidade econômica — afinal, elas empregam 75% da força de trabalho. Para o empresário, representa a necessidade urgente de profissionalizar a gestão e planejar a sucessão com antecedência. E para o investidor, sinaliza que empresas familiares sem governança clara podem representar risco maior no longo prazo.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/04/09/rafael-bastos-comenta-sobre-herdeiros-despreparados-1.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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