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Etanol volta a ser mais vantajoso que gasolina no Brasil

Combustível renovável custa 69% do preço da gasolina comum, mas benefício se concentra em apenas três estados brasileiros
Homem abastecendo veículo em posto de combustível com bomba de etanol, preços visíveis no display eletrônico
O etanol voltou a ser mais vantajoso que a gasolina no Brasil, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na média nacional, o litro do combustível renovável custava R$ 4,70 na semana passada — equivalente a 69% do preço da gasolina comum (R$ 6,78).

A combinação entre a disparada do petróleo no mercado internacional, provocada pela guerra do Irã, e o início da safra de cana-de-açúcar no Brasil tornou o etanol mais competitivo nos postos. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do etanol custava em média R$ 4,70 na semana passada, enquanto a gasolina comum estava em R$ 6,78. Isso significa que o etanol representava 69% do valor da gasolina — abaixo do limite de 70% que especialistas consideram vantajoso.

Para entender por que existe esse limite de 70%, é preciso saber que o etanol tem menor rendimento que a gasolina. Como o álcool possui 30% menos capacidade energética (ou seja, faz o carro rodar menos quilômetros por litro), ele só compensa financeiramente quando custa no máximo 70% do preço da gasolina. É como comparar dois pacotes de arroz: se um tem 30% menos produto, ele precisa custar proporcionalmente menos para valer a pena.

Vantagem concentrada em três estados

Apesar da média nacional favorável, a vantagem do etanol não é uniforme no país. Entre os 26 locais pesquisados pela ANP, apenas três estados apresentam etanol mais vantajoso: São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nos outros 23 estados e no Distrito Federal, a gasolina ainda compensa mais no bolso do consumidor. A média nacional é fortemente influenciada por São Paulo, maior estado produtor e consumidor de combustíveis do país.

Marcio D’Agosto, professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, explica que cada veículo tem um desempenho específico com cada combustível. Para saber exatamente qual opção é mais vantajosa no seu carro, é preciso calcular quantos quilômetros ele roda com cada litro de combustível — informação que aparece no painel de veículos modernos ou pode ser calculada manualmente em carros mais antigos. O cálculo é simples: encha o tanque, anote a quilometragem, rode até precisar abastecer novamente, complete o tanque e divida a distância percorrida pelo volume abastecido.

Comparação internacional

A título de comparação, nos Estados Unidos o etanol de milho costuma custar cerca de 60% a 65% do preço da gasolina, mas seu uso é menos disseminado porque a maioria dos carros não é flex (adaptada para usar ambos os combustíveis). O Brasil é líder mundial em tecnologia flex e produção de etanol de cana, que é mais eficiente energeticamente que o etanol de milho americano. Cerca de 90% da frota de veículos leves no país é flex, permitindo que o consumidor escolha o combustível mais vantajoso a cada abastecimento.

📊 Número do Dia

69% , Proporção do preço do etanol em relação à gasolina na média nacional — abaixo do limite de 70% que torna o combustível renovável vantajoso

Por que isso importa

Para o cidadão, a mudança representa economia imediata no orçamento familiar, especialmente em São Paulo e no Centro-Oeste. Quem abastece semanalmente pode economizar centenas de reais por ano ao escolher o combustível correto. Para o país, o aumento da competitividade do etanol reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalece o agronegócio nacional, gerando empregos no campo. Além disso, o etanol de cana emite cerca de 70% menos gases de efeito estufa que a gasolina, contribuindo para as metas climáticas brasileiras.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/08/com-disparada-do-petroleo-etanol-ja-esta-mais-vantajoso-do-que-a-gasolina-confira-por-estado.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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