O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) publicou um relatório que aponta o Pix como possível barreira a empresas americanas do setor financeiro. Segundo o documento, haveria “tratamento preferencial” ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central brasileiro — o Pix permite transferências em segundos, sem custo para o usuário, funcionando como um WhatsApp do dinheiro. O relatório faz parte de uma análise anual que lista o que Washington considera obstáculos ao comércio em outros países.
Em resposta, Alckmin defendeu o sistema brasileiro e minimizou as críticas. “O Pix é um sucesso, você tem uma coisa que o mundo inteiro hoje acompanha, com custo zero para o consumidor”, afirmou o vice-presidente. Ele destacou que o governo pretende esclarecer tecnicamente os pontos levantados pelos americanos, apostando no diálogo para evitar sanções comerciais.
As críticas fazem parte de investigações abertas com base na chamada Seção 301 — um instrumento legal americano que permite ao governo impor tarifas ou outras sanções contra países que supostamente adotam práticas comerciais consideradas desleais. O relatório também menciona tarifas brasileiras em setores como indústria e tecnologia, além de citar a pirataria na região da Rua 25 de Março, em São Paulo.
Comparação internacional
A título de comparação, sistemas de pagamento instantâneo semelhantes ao Pix existem em diversos países — a Índia opera o UPI, que processa bilhões de transações mensais, enquanto a União Europeia implementou recentemente regras para pagamentos instantâneos em euros. A diferença é que o Pix brasileiro alcançou adoção massiva em tempo recorde: mais de 150 milhões de usuários em menos de quatro anos, segundo dados do Banco Central. Nos Estados Unidos, sistemas similares ainda enfrentam baixa adesão e custos para o consumidor.
Alckmin também rebateu as críticas sobre tarifas. Segundo ele, as tarifas médias brasileiras ficam em torno de 2,7%, e os Estados Unidos mantêm superávit na balança de serviços com o Brasil — ou seja, vendem mais serviços (como consultorias, softwares e royalties) ao Brasil do que compram. O vice-presidente destacou que Brasil e EUA mantêm relações comerciais há cerca de 200 anos e defendeu o aprofundamento da cooperação econômica.
Diesel no radar
Além das tensões comerciais, Alckmin sinalizou preocupação com o abastecimento de diesel e os efeitos da alta internacional de preços, pressionada por tensões geopolíticas. “O que mais preocupa é o diesel e a primeira tarefa é garantir abastecimento”, afirmou. O aumento do preço do diesel impacta diretamente o custo do transporte de mercadorias — imagine que cada produto no supermercado viajou de caminhão, e o combustível mais caro encarece tudo.
Para conter a alta, o governo reduziu tributos federais sobre o diesel e negocia com os estados a redução do ICMS (imposto estadual sobre circulação de mercadorias). Segundo Alckmin, a adesão dos estados à proposta é majoritária, com divisão de custos entre União e governos regionais para evitar disputas judiciais.
📊 Número do Dia
150 milhões , Número de usuários do Pix no Brasil, sistema criticado pelos EUA mas que alcançou adoção massiva em menos de quatro anos
Por que isso importa
Para o cidadão, a disputa sobre o Pix pode sinalizar pressões futuras sobre serviços digitais gratuitos. Para empresas, especialmente do setor financeiro e de tecnologia, o desfecho das negociações pode definir regras de concorrência e custos operacionais. Para investidores, tensões comerciais com os EUA aumentam incertezas sobre tarifas e acesso ao mercado americano, enquanto a alta do diesel pressiona a inflação e os custos logísticos de toda a cadeia produtiva.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/02/eua-voltam-a-criticar-pix-e-alckmin-fala-em-esclarecer-tema-ao-governo-trump.ghtml












