O mercado publicitário brasileiro vive uma transformação que vai além da criação de campanhas e começa a chamar atenção de investidores estrangeiros. Em 2025, o investimento publicitário via agências no Brasil alcançou R$ 28,9 bilhões, crescimento de 10% em relação ao ano anterior, segundo o Cenp (órgão que regula o setor). Esse volume representa cerca de 0,3% do PIB brasileiro — proporção semelhante à de países como México e Colômbia, mas ainda distante dos 0,6% observados nos Estados Unidos.
A SnapUp, agência brasileira com atuação multinacional, entrou no radar de um grupo publicitário britânico interessado em adquirir participação relevante no negócio, segundo fontes com conhecimento das conversas citadas pelo jornal O Globo. Embora as negociações não tenham sido oficialmente confirmadas, a movimentação sinaliza que empresas brasileiras do setor começam a ser vistas como ativos estratégicos no exterior.
O que mudou no modelo de negócio
Diferentemente das agências tradicionais, que cobram principalmente pela criação e execução de campanhas, a SnapUp opera com foco na gestão estratégica de recursos de marketing. Na prática, isso significa integrar mídia, produção e análise de desempenho sob uma perspectiva de retorno sobre investimento — como se a agência funcionasse mais como uma consultoria financeira do que como um estúdio criativo. “O mercado publicitário ainda é muito baseado em prestação de serviço. O que estamos construindo é uma estrutura que pensa em investimento, performance e retorno como prioridade”, afirma Victor Honorato, cofundador da empresa, ao O Globo.
Esse reposicionamento acompanha uma tendência global. O mercado publicitário mundial foi estimado em US$ 1,19 trilhão em 2025, com crescimento de 8,9%, segundo a consultoria WARC. A disputa por estruturas capazes de combinar criatividade com eficiência operacional e tecnologia se intensificou, especialmente em segmentos intensivos em dados.
Por que investidores olham para o Brasil
Nos últimos meses, a SnapUp ampliou sua atuação internacional, desenvolvendo projetos em outros mercados. Esse movimento costuma aumentar a visibilidade de empresas locais diante de grupos estrangeiros, segundo executivos do setor ouvidos pela reportagem. Uma alteração recente no capital social da empresa, ocorrida semanas antes de o interesse britânico circular no mercado, também alimentou especulações — embora não haja confirmação de vínculo direto entre os fatos.
O ambiente brasileiro para transações estratégicas permaneceu ativo em 2025. Levantamento da KPMG aponta que o mercado de fusões e aquisições registrou 425 operações no terceiro trimestre do ano, com participação crescente de fundos de private equity (investidores que compram participações em empresas para reestruturá-las e revendê-las com lucro). A título de comparação, o Reino Unido registrou cerca de 1.200 operações de M&A no mesmo período, segundo dados públicos da Refinitiv — volume três vezes maior, mas em uma economia cinco vezes maior que a brasileira.
A inflexão do setor
Mais do que um caso isolado, a movimentação em torno da SnapUp ilustra uma mudança estrutural: agências capazes de traduzir verba publicitária em resultados mensuráveis tendem a se tornar mais valiosas, tanto para anunciantes quanto para investidores. “A tendência é que as agências deixem de ser apenas executoras e passem a atuar como plataformas de decisão. Quem conseguir fazer isso primeiro, ganha escala”, diz Honorato.
Os nomes envolvidos nas negociações seguem sob confidencialidade, e não houve confirmação oficial sobre a estrutura ou o estágio de uma eventual operação. Ainda assim, o episódio sugere que parte do mercado internacional já começou a olhar para o Brasil não apenas como origem de campanhas criativas, mas como celeiro de modelos publicitários mais sofisticados e financeiramente escaláveis.
📊 Número do Dia
R$ 28,9 bilhões , Volume movimentado pelo mercado publicitário brasileiro em 2025, alta de 10% sobre o ano anterior
Por que isso importa
Para empresas brasileiras, a entrada de capital estrangeiro pode acelerar a profissionalização e a expansão internacional do setor. Para investidores, sinaliza que modelos de negócio focados em eficiência e dados ganham valor em mercados emergentes. Para o cidadão, a transformação pode resultar em publicidade mais relevante e menos invasiva, já que agências passam a ser cobradas por resultados concretos, não apenas por volume de anúncios.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/pulse-brand/noticia/2026/03/31/nova-geracao-de-agencias-brasileiras-atrai-interesse-internacional-1.ghtml












