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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Petroleiros propõem transição energética com estatais e emprego

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) defendeu nesta quarta-feira (25) que a transição energética no Brasil precisa ser conduzida pelo Estado, com foco em estatais, geração de empregos de qualidade e respeito às diferenças regionais do país.

Representante da Federação Única dos Petroleiros apresenta propostas para transição energética em coletiva de imprensa com jornalistas
FUP apresenta propostas para transição energética justa com participação de estatais brasileiras.

A transição energética — o processo de substituir combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) por fontes limpas (como solar e eólica) — está no centro de um debate sobre qual modelo o Brasil deve adotar. Durante painel realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep) no Rio de Janeiro, o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, argumentou que o país não pode simplesmente copiar modelos estrangeiros, sob risco de aprofundar desigualdades e perder controle sobre recursos estratégicos.

Segundo Bacelar, conforme reportado pela Agência Brasil, a transição deve estar articulada a uma política industrial de longo prazo, com investimentos em pesquisa e protagonismo das empresas estatais, como a Petrobras. A proposta é que o Estado coordene o processo, garantindo não apenas a redução de emissões de gases do efeito estufa (os gases que causam o aquecimento global), mas também a criação de empregos, renda e soberania nacional. É como se o governo assumisse o papel de maestro de uma orquestra: cada região do país tem sua vocação — sol no Nordeste, biomassa no Centro-Oeste, ventos no Sul — e cabe ao Estado harmonizar essas diferenças em vez de impor uma solução única.

Comparação internacional

O debate brasileiro ecoa tensões globais sobre quem deve liderar a transição energética: o mercado ou o Estado. Na Europa, por exemplo, a transição tem sido conduzida majoritariamente por empresas privadas e incentivos de mercado, com metas ambiciosas de neutralidade de carbono até 2050. Já a China adotou forte intervenção estatal, tornando-se líder mundial em painéis solares e baterias elétricas — um modelo que gerou milhões de empregos industriais, mas também críticas sobre subsídios e impactos ambientais. A proposta da FUP se aproxima mais do modelo chinês, com ênfase em soberania e papel ativo do Estado, mas adaptado às realidades de um país continental e desigual como o Brasil.

Desafios regionais e sociais

A FUP alertou ainda para a necessidade de qualificação profissional, fortalecimento de serviços públicos e combate à pobreza energética — situação em que famílias não conseguem pagar por energia suficiente para necessidades básicas. Segundo a federação, comunidades mais vulneráveis à crise climática precisam de proteção social ampliada, e a transição não pode deixar trabalhadores para trás. O seminário, que contou com participação do Dieese, CUT e Ipea, continua nesta quinta-feira (26) com debates sobre impactos da transição no desenvolvimento nacional.

📊 Número do Dia

Dimensões continentais — A FUP destacou que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, não há solução única para a transição energética — cada região tem vocações e desafios próprios

Por que isso importa

Para o trabalhador, a proposta da FUP sinaliza que a transição energética pode gerar empregos industriais de qualidade, em vez de apenas destruir postos no setor de petróleo. Para empresas, indica que estatais como a Petrobras podem ter papel central — e recursos públicos — na nova economia verde. Para o cidadão, o debate define se a conta da transição será paga de forma justa ou se aprofundará desigualdades regionais e sociais, especialmente em um país onde milhões ainda sofrem com pobreza energética.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/fup-defende-transicao-energetica-que-fortaleca-estatais-e-gere-emprego