A transição energética — o processo de substituir combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) por fontes limpas (como solar e eólica) — está no centro de um debate sobre qual modelo o Brasil deve adotar. Durante painel realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep) no Rio de Janeiro, o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, argumentou que o país não pode simplesmente copiar modelos estrangeiros, sob risco de aprofundar desigualdades e perder controle sobre recursos estratégicos.
Segundo Bacelar, conforme reportado pela Agência Brasil, a transição deve estar articulada a uma política industrial de longo prazo, com investimentos em pesquisa e protagonismo das empresas estatais, como a Petrobras. A proposta é que o Estado coordene o processo, garantindo não apenas a redução de emissões de gases do efeito estufa (os gases que causam o aquecimento global), mas também a criação de empregos, renda e soberania nacional. É como se o governo assumisse o papel de maestro de uma orquestra: cada região do país tem sua vocação — sol no Nordeste, biomassa no Centro-Oeste, ventos no Sul — e cabe ao Estado harmonizar essas diferenças em vez de impor uma solução única.
Comparação internacional
O debate brasileiro ecoa tensões globais sobre quem deve liderar a transição energética: o mercado ou o Estado. Na Europa, por exemplo, a transição tem sido conduzida majoritariamente por empresas privadas e incentivos de mercado, com metas ambiciosas de neutralidade de carbono até 2050. Já a China adotou forte intervenção estatal, tornando-se líder mundial em painéis solares e baterias elétricas — um modelo que gerou milhões de empregos industriais, mas também críticas sobre subsídios e impactos ambientais. A proposta da FUP se aproxima mais do modelo chinês, com ênfase em soberania e papel ativo do Estado, mas adaptado às realidades de um país continental e desigual como o Brasil.
Desafios regionais e sociais
A FUP alertou ainda para a necessidade de qualificação profissional, fortalecimento de serviços públicos e combate à pobreza energética — situação em que famílias não conseguem pagar por energia suficiente para necessidades básicas. Segundo a federação, comunidades mais vulneráveis à crise climática precisam de proteção social ampliada, e a transição não pode deixar trabalhadores para trás. O seminário, que contou com participação do Dieese, CUT e Ipea, continua nesta quinta-feira (26) com debates sobre impactos da transição no desenvolvimento nacional.
📊 Número do Dia
Dimensões continentais — A FUP destacou que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, não há solução única para a transição energética — cada região tem vocações e desafios próprios
Por que isso importa
Para o trabalhador, a proposta da FUP sinaliza que a transição energética pode gerar empregos industriais de qualidade, em vez de apenas destruir postos no setor de petróleo. Para empresas, indica que estatais como a Petrobras podem ter papel central — e recursos públicos — na nova economia verde. Para o cidadão, o debate define se a conta da transição será paga de forma justa ou se aprofundará desigualdades regionais e sociais, especialmente em um país onde milhões ainda sofrem com pobreza energética.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/fup-defende-transicao-energetica-que-fortaleca-estatais-e-gere-emprego












