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Cervejas brasileiras vencem ‘Oscar mundial’ da categoria

Cervejarias de Foz do Iguaçu e Campinas conquistam três medalhas em competição com mais de 8 mil rótulos internacionais
Homem servindo cerveja artesanal em copo com medalha World Beer Cup 2025 e garrafas de cerveja brasileira na mesa, mercado cervejeiro
O Brasil conquistou três medalhas de ouro no World Beer Cup 2025, realizado nos Estados Unidos, com cervejas artesanais que combinam técnicas de maturação avançadas e ingredientes regionais como cachaça, caju e melancia.

O mercado brasileiro de cervejas artesanais alcançou reconhecimento global inédito ao vencer três categorias do World Beer Cup 2025, considerado o ‘Oscar da cerveja’. A competição reuniu mais de 8 mil rótulos de 1.700 cervejarias de 50 países, avaliados por centenas de jurados especializados. O desempenho brasileiro sinaliza a maturidade técnica de um setor que, há duas décadas, praticamente não existia no país.

A cervejaria 277 Craft Beer, de Foz do Iguaçu (PR), foi responsável por duas das três medalhas. Sua Quadruppel 277 venceu na categoria Belgian-Style Strong Specialty Ale após um ano de envelhecimento em barris de madeira que antes armazenaram cachaça. Esse processo — chamado de maturação em barris — funciona como deixar um vinho descansar: a bebida absorve aromas e sabores da madeira, ganhando complexidade. No caso brasileiro, a cachaça adiciona notas de melado e frutas secas que impressionaram os jurados internacionais.

A mesma cervejaria conquistou ouro com a Canoa Quebrada, um estilo alemão chamado Gose (pronuncia-se ‘gôze’) que tradicionalmente equilibra acidez e salinidade. A versão brasileira inovou ao incorporar caju, fruta típica do Nordeste, adaptando uma receita centenária europeia ao paladar tropical. É como pegar uma receita tradicional de pão alemão e adicionar tapioca — mantém a estrutura, mas cria algo novo.

Cerveja sem álcool também brilha

A terceira medalha veio de Campinas (SP), onde a cervejaria Sim! Cerveja venceu com a Melancia SOUR’n Salt. Com apenas 0,3% de teor alcoólico (menos que um suco de laranja fermentado naturalmente), a bebida combina melancia e hibisco, provando que cervejas especiais não precisam de alto teor alcoólico para ter qualidade. O segmento de cervejas sem álcool cresce globalmente: na Alemanha, por exemplo, já representa 8% do mercado total, segundo dados da associação de cervejeiros alemães.

A título de comparação, os Estados Unidos — maior produtor de cervejas artesanais do mundo — levaram 98 medalhas no total da competição, mas partiram de uma base de mais de 9 mil cervejarias ativas. O Brasil, com cerca de 1.500 cervejarias artesanais registradas (segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal), conquistou três ouros com participação proporcionalmente menor, evidenciando a qualidade técnica alcançada.

Ingredientes regionais como diferencial

O uso de matérias-primas brasileiras — cachaça, caju, melancia — não é apenas criatividade: é estratégia competitiva. Enquanto cervejarias europeias e americanas dominam estilos tradicionais há séculos, os produtores brasileiros encontraram na biodiversidade local um caminho para criar perfis sensoriais únicos que não podem ser replicados facilmente. É o mesmo movimento que tornou a gastronomia peruana reconhecida mundialmente ao valorizar ingredientes andinos.

📊 Número do Dia

8.000 , cervejas de 50 países competiram no World Beer Cup 2025, de onde o Brasil trouxe três medalhas de ouro

Por que isso importa

Para o consumidor brasileiro, o reconhecimento internacional valida a qualidade das cervejas artesanais nacionais, que antes eram vistas como inferiores às importadas. Para as cervejarias, as medalhas abrem portas no mercado de exportação — um setor que movimentou US$ 2,1 bilhões globalmente em 2024, segundo a Organização Internacional da Cerveja. Para o país, representa a consolidação de uma cadeia produtiva que gera empregos qualificados e agrega valor a ingredientes regionais, transformando caju e cachaça em produtos de alto padrão exportável.


Fonte original: https://atarde.com.br/brasil/conheca-as-3-cervejas-do-brasil-que-conquistaram-o-topo-do-mundo-1383671

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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