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BNDES prepara Brasil Soberano 2 para setores estratégicos

Nova linha de crédito mirará fertilizantes e empresas prejudicadas por tarifas americanas de até 50%
Maquete com turbinas eólicas e painéis solares sendo apresentada em escritório corporativo, investimentos sustentáveis
O BNDES planeja lançar uma segunda versão do programa Brasil Soberano, ampliando o escopo para incluir setores estratégicos com déficit comercial, como fertilizantes, além de empresas ainda afetadas pelas tarifas americanas. O anúncio foi feito pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, em 17 de março de 2026.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — a instituição pública que empresta dinheiro a juros subsidiados para projetos de longo prazo — está desenhando o Brasil Soberano 2, uma nova linha de crédito para setores considerados estratégicos. De fato, a primeira versão do programa, lançada em agosto de 2025, destinou R$ 16 bilhões para empresas brasileiras atingidas pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, segundo informou o presidente do banco, Aloizio Mercadante, em coletiva de imprensa.

No entanto, a nova versão pretende ir além. O foco agora inclui setores com déficit comercial (quando o Brasil importa mais do que exporta) e considerados essenciais para a economia, como o de fertilizantes. Além disso, Mercadante destacou que as guerras na Ucrânia e no Irã — dois dos maiores produtores globais de fertilizantes — expõem a vulnerabilidade brasileira. Por conseguinte, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, dependência que coloca em risco a agricultura nacional, responsável por quase um quarto do PIB (a soma de tudo que o país produz em um ano).

Empresas que ainda enfrentam tarifas americanas acima de 15% — a taxa mínima imposta pelos EUA a todos os parceiros comerciais — continuarão no radar do programa. Assim, setores como siderurgia, alumínio, cobre e autopeças permanecem com tarifas de 25% a 50%, segundo a Resolução 232 americana, o que os coloca em desvantagem frente a concorrentes de outros países. Por exemplo, a título de comparação, a União Europeia negocia tarifas médias de 10% com os EUA para produtos similares, segundo dados da Organização Mundial do Comércio.

Atualmente, o BNDES ainda tem cerca de R$ 6 bilhões disponíveis no caixa do primeiro Brasil Soberano, recursos que não foram utilizados. Para redirecionar esse dinheiro ao Brasil Soberano 2, o governo precisará editar uma Medida Provisória (MP) — um ato do presidente que tem força de lei imediata, mas precisa ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias. Nesse sentido, Mercadante afirmou que já há diálogo avançado com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a equipe do Ministério da Fazenda, mas a decisão final cabe ao presidente Lula.

Portanto, a estratégia do banco é clara: reduzir a dependência de importações em setores críticos. É como ter um estoque de emergência em casa — em tempos de crise, quem depende do mercado externo para itens essenciais fica vulnerável a choques de preço e escassez. De fato, no caso dos fertilizantes, a guerra na Ucrânia já provocou alta de 30% nos preços globais em 2022, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), impactando diretamente o custo de produção agrícola no Brasil.

📊 Número do Dia

R$ 16 bilhões , Volume de crédito entregue pelo Brasil Soberano 1 para empresas afetadas pelas tarifas americanas

Por que isso importa

Para o cidadão, dessa forma, a redução da dependência de fertilizantes importados pode estabilizar os preços dos alimentos no supermercado, já que o custo de produção agrícola cairia. Da mesma forma, para empresas dos setores siderúrgico, de alumínio e autopeças, o acesso a crédito subsidiado pode compensar parte da desvantagem competitiva criada pelas tarifas americanas. Por outro lado, para o investidor, o programa sinaliza aposta do governo em substituição de importações, favorecendo empresas nacionais desses segmentos.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/17/bndes-planeja-nova-linha-de-credito-para-reforcar-setores-estrategicos-afetados-por-guerras.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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