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quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Brasil

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Distrito Federal aprova venda de imóveis para socorrer BRB

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (3) projeto que autoriza o governo local a aportar até R$ 6,6 bilhões no Banco de Brasília (BRB), usando nove imóveis públicos como garantia ou para venda direta.

Votação no Distrito Federal sobre venda de patrimônio imobiliário para recapitalização do Banco de Brasília
Distrito Federal autoriza alienação patrimonial para fortalecer capital do BRB

Por 14 votos a 10, os deputados distritais autorizaram o Governo do Distrito Federal a capitalizar o BRB para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master, segundo informou a Agência Brasil. Dessa forma, o projeto permite contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições financeiras, oferecendo nove imóveis públicos como garantia, para venda ou estruturação em fundo imobiliário.

A votação ocorreu após intensa pressão política. Nesse contexto, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reuniu-se por quase 12 horas com deputados e afirmou que, sem a aprovação, o banco poderia “deixar de existir” e interromper operações como pagamento de servidores, programas sociais e transporte público. Além disso, funcionários do banco ocuparam as galerias do plenário durante a sessão, gerando tensão com parlamentares de oposição.

O uso de ativos públicos para capitalizar bancos estaduais não é inédito no Brasil. De fato, durante a crise bancária dos anos 1990, diversos estados brasileiros precisaram federalizar ou privatizar seus bancos estaduais – casos como Banespa (São Paulo) e Banestado (Paraná) resultaram em vendas a instituições privadas. No entanto, o modelo de capitalização via imóveis públicos é menos comum e levanta questões sobre a avaliação adequada desses ativos.

Um estudo técnico da própria Consultoria da Câmara Legislativa havia recomendado a rejeição do projeto, apontando riscos jurídicos e fiscais, incluindo possível afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal. Por conseguinte, a oposição classificou o texto como um “cheque em branco” e criticou a falta de laudos detalhados de avaliação dos imóveis. Portanto, o deputado Chico Vigilante (PT) anunciou que a oposição estuda ingressar na Justiça para barrar a futura lei.

O BRB solicitou aos acionistas autorização para aporte de até R$ 8,86 bilhões, com assembleia marcada para 18 de março. Em seguida, a instituição pretende apresentar solução até 31 de março, quando divulgará o balanço de 2025.

📊 Número do Dia

R$ 6,6 bilhões — Valor máximo autorizado para capitalização do BRB via empréstimo com garantia de imóveis públicos

Por que isso importa

Para o cidadão do Distrito Federal, a aprovação significa que imóveis públicos poderão ser vendidos ou dados em garantia para salvar o banco estatal, com impacto direto no patrimônio público local. Por outro lado, para investidores, a operação sinaliza fragilidade na gestão de riscos do BRB e possível necessidade de reestruturação mais ampla. Da mesma forma, para empresas que operam com o banco, a capitalização pode garantir continuidade das linhas de crédito, mas a incerteza jurídica – com possível judicialização pela oposição – mantém o cenário instável até a assembleia de acionistas em 18 de março.