A arrecadação americana bateu recorde, mas isso não impediu o aumento do déficit. A receita total alcançou US$ 5,4 trilhões no ano fiscal de 2026, avanço de 3%, enquanto as despesas chegaram a US$ 7,4 trilhões, alta de 6%. O desequilíbrio cresceu porque os gastos avançaram mais rapidamente que as entradas, não porque a arrecadação total tenha caído.
Conforme reportagem da Reuters publicada pela Folha de S.Paulo, foi o maior déficit desde o ano fiscal de 2021. O resultado representa a diferença entre receitas e despesas durante o período. Já a dívida pública, que supera US$ 40 trilhões, é o estoque de obrigações acumuladas. Separar os dois conceitos ajuda a entender por que o custo dessa dívida pesa no orçamento.
A dívida pressiona o espaço para outras despesas
Os gastos com o serviço da dívida, isto é, os encargos associados a essas obrigações, atingiram US$ 1,36 trilhão, aumento de US$ 144 bilhões, ou 12%. Essa categoria ficou atrás apenas da Previdência Social e da soma dos programas de saúde Medicare e Medicaid.
Quando o custo da dívida cresce, uma parcela maior da receita fica comprometida com obrigações financeiras. Para evitar que isso amplie o déficit, o governo precisa compensar a pressão com mais receitas ou menor gasto em outras áreas. Sem compensação, a necessidade de financiamento permanece e pode alimentar novas despesas financeiras.
Também houve pressão pelo lado das tarifas. Uma decisão da Suprema Corte que anulou grande parte das tarifas impostas por Donald Trump provocou US$ 145 bilhões em reembolsos. A receita líquida desses tributos caiu 11%, para cerca de US$ 173 bilhões. Isso contribuiu para o déficit, embora a arrecadação total tenha crescido.
O canal de transmissão para o Brasil
O elo econômico com o Brasil passa pelas condições internacionais de financiamento. Se a necessidade de financiar o Tesouro americano contribuir para elevar os rendimentos dos títulos dos EUA, esses papéis podem atrair recursos que, de outra forma, buscariam outros mercados. Para empresas e governo brasileiros, isso pode significar maior custo para captar dinheiro no exterior.
Esse efeito não está demonstrado nos dados apresentados. A consequência depende de como investidores absorvem a dívida e de quais juros exigem. O ponto concreto é que arrecadação recorde não conteve o desequilíbrio americano: enquanto despesas e encargos avançarem mais depressa, o financiamento continuará sob pressão, com possível repercussão além dos Estados Unidos.
📊 Número do Dia
US$ 1,36 trilhão : Gastos dos Estados Unidos com o serviço da dívida no ano fiscal de 2026, alta de 12% em relação ao período anterior.
Por que isso importa
O aumento dos encargos da dívida restringe o espaço no orçamento americano. Se a necessidade de financiamento pressionar os juros dos títulos dos EUA, o custo de captação externa de empresas e governo brasileiros também pode subir.
