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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Bets proibidas, dívidas compradas: o Estado assume o passivo do consumidor

Proibição das bets, compra de dívidas pela União e subsídio ao diesel mantido: as medidas aliviam as famílias, mas o custo fiscal segue sem detalhamento.

Proibição das bets, compra de dívidas pela União e subsídio ao diesel mantido: as medidas aliviam as famílias, mas o custo fiscal segue sem detalhamento.

Em poucos dias, o Estado brasileiro proibiu um mercado inteiro, ofereceu-se para comprar dívidas de pessoas físicas e continuou pagando parte do combustível que abastece o país. Três decisões diferentes, um mesmo endereço: o orçamento das famílias.

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Segundo o Feed Editoria, as apostas online passaram a ser proibidas no país, com previsão de devolução de saldo aos apostadores e datas definidas em medida provisória. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as bets que continuarem no ar após o prazo serão bloqueadas. O contexto é conhecido: reportagem do mesmo feed trata do endividamento e do impacto sobre a saúde dos apostadores. A decisão encerra uma experiência regulatória recente e cria perguntas concretas sobre arrecadação, empregos e migração dessa atividade para canais fora de qualquer controle.

Na mesma semana, o governo anunciou a terceira fase do Desenrola, com uma novidade relevante: a compra de dívidas pela União. Trata-se de mudança de natureza, não de escala. Nas fases anteriores, o Estado atuava sobretudo como garantidor e articulador de descontos; agora entra como comprador do passivo, assumindo diretamente um risco que antes era do credor privado. O desenho operacional foi divulgado, mas o custo fiscal total e o critério de precificação das carteiras são justamente o que precisa ser acompanhado.

O terceiro movimento é mais silencioso. A Fazenda manteve o subsídio de R$ 2,12 por litro ao óleo diesel, resultado da soma de R$ 1,12 vindos de medida provisória com validade até 26 de setembro e de R$ 1 adicional anunciado no início de setembro. Paralelamente, a conta de luz volta à bandeira verde em outubro, após cinco meses, e as multas por aumento abusivo de combustíveis já superam R$ 700 milhões.

Perspectiva & Olhar da Redação

Vistos juntos, esses três movimentos desenham uma política de alívio imediato ao consumidor em ano eleitoral. Nenhum deles é ilegítimo por princípio: endividamento crônico trava consumo, e combustível caro contamina toda a cadeia de preços. O problema não é a intenção, é a contabilidade. Proibir as bets elimina uma receita tributária recém-criada; comprar dívidas transfere perdas do setor privado para o Tesouro; subsidiar diesel é despesa recorrente disfarçada de medida temporária.

A bandeira verde em outubro alivia a inflação medida, mas por razões energéticas, não fiscais. A pergunta que fica para as próximas semanas é simples de formular e difícil de responder com os dados hoje públicos: qual é o custo somado dessas três decisões e como ele será financiado?

Vitor Ribeiro
Correio Capital