O ministro da Fazenda, Dario Durigan, prometeu nesta segunda-feira (31) que o Brasil voltará a registrar superávits primários — quando o governo arrecada mais do que gasta, antes de pagar juros da dívida — a partir de 2027. A declaração, publicada pela Folha de S.Paulo, sinaliza uma mudança de trajetória após anos de déficits recorrentes. É como se uma família que vinha gastando mais do que ganha finalmente conseguisse guardar dinheiro no fim do mês.
Segundo Durigan, esses superávits serão “crescentes e recorrentes”, ou seja, não apenas pontuais, mas sustentados ao longo do tempo. O ministro defendeu ainda que o próximo passo da política econômica seja reduzir o ritmo de expansão das despesas obrigatórias — aqueles gastos que o governo é obrigado por lei a fazer, como aposentadorias, salários de servidores e benefícios sociais. Essas despesas representam a maior parte do orçamento federal e crescem automaticamente a cada ano, limitando a margem de manobra do governo.
Durigan também criticou o nível atual dos juros no Brasil, defendendo que o país precisa de “juros civilizados”. A taxa Selic (o juro básico que o Banco Central usa para controlar a inflação) está em patamar elevado no contexto internacional. A título de comparação, enquanto o Brasil opera com juros reais (descontada a inflação) entre os mais altos do mundo, países como Estados Unidos e zona do euro mantêm taxas significativamente mais baixas, mesmo após os recentes ciclos de aperto monetário.
O desafio é grande: para alcançar superávits, o governo precisará ou aumentar receitas (via impostos ou melhor arrecadação) ou cortar gastos — tarefa difícil quando a maior parte do orçamento é composta por despesas obrigatórias. A promessa de superávit a partir de 2027 dependerá da capacidade do governo de aprovar reformas que desacelerem o crescimento automático dessas despesas.
📊 Número do Dia
2027 — Ano em que o Brasil deve voltar a registrar superávits primários, segundo o ministro da Fazenda
Por que isso importa
Para o cidadão, superávits significam que o governo para de aumentar a dívida pública, o que no médio prazo pode levar a juros mais baixos — barateando financiamentos de casa e carro. Para o investidor, a promessa sinaliza compromisso fiscal, mas sua credibilidade dependerá de reformas concretas nas despesas obrigatórias. Para empresas, juros menores reduzem o custo de capital e estimulam investimentos produtivos.


