Os bancários brasileiros cruzam os braços nesta quinta-feira (20) em uma paralisação nacional de 24 horas, pressionando os bancos por reajustes salariais. A mobilização foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira (17) e confirmada pelo Comando Nacional dos Bancários, segundo informou a Agência Brasil. A orientação para os correntistas é resolver pendências por meio dos aplicativos e do internet banking — ou seja, as agências físicas podem não funcionar normalmente, dependendo da adesão local.
Entre as principais reivindicações estão: 5% de aumento real (acima da inflação medida pelo IPCA, que corrige o poder de compra) nos salários e demais verbas; elevação do piso salarial da categoria; reajuste dos valores do vale-refeição e do vale-alimentação; e valorização da participação nos lucros e resultados (PLR), um bônus anual pago aos funcionários com base no desempenho dos bancos. Até o momento, segundo o Comando Nacional dos Bancários, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou uma proposta formal para as reivindicações econômicas.
A pauta foi entregue à Fenaban em 24 de junho, e as negociações começaram em 2 de julho. A Fenaban e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmam que o calendário de negociações segue dentro do cronograma estabelecido. A paralisação ocorre às vésperas da data-base da categoria — o prazo anual em que os acordos coletivos devem ser renovados —, funcionando como uma espécie de aviso: se não houver avanço, a greve pode se estender.
Como funciona uma paralisação bancária
Diferentemente de uma greve total, a paralisação de 24 horas não fecha automaticamente todas as agências. A adesão depende da participação dos trabalhadores em cada região e das atividades organizadas pelos sindicatos locais. Bancários em regime de home office foram orientados a não acessar os sistemas dos bancos nem registrar o ponto durante o período. Imagine que é como se, por um dia, parte da equipe de uma empresa decidisse não aparecer para trabalhar — o atendimento fica comprometido, mas não necessariamente paralisa por completo.
Comparação internacional
Movimentos grevistas no setor bancário não são exclusividade brasileira. Na França, por exemplo, bancários realizaram paralisações em 2023 reivindicando reajustes salariais diante da inflação europeia, que chegou a 10% em alguns países da zona do euro. A diferença é que, no Brasil, a inflação está mais controlada (em torno de 4% ao ano), mas os trabalhadores buscam ganho real — ou seja, aumento acima da inflação — para recuperar poder de compra perdido em anos anteriores.
📊 Número do Dia
5% — Aumento real (acima da inflação) reivindicado pelos bancários na campanha salarial de 2026
Por que isso importa
Para o cidadão, a paralisação pode significar filas maiores ou agências fechadas nesta quinta-feira — convém resolver pendências pelos canais digitais. Para os trabalhadores do setor, o desfecho da negociação definirá ganhos salariais e benefícios pelos próximos 12 meses. Para os bancos, a pressão por reajustes ocorre em um momento de lucros recordes no setor financeiro brasileiro, o que torna a disputa ainda mais sensível politicamente.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/bancarios-farao-paralisacao-de-24-horas-nesta-quinta-feira


