O mercado de criptomoedas atravessa um período de ajuste doloroso, com empresas fechando as portas em ritmo acelerado. Segundo Ryan Kirkley, CEO da Global Settlement Network, em declarações à CoinDesk, o setor está passando por uma reorganização natural após anos de expansão alimentada por capital abundante e barato. A era em que projetos cripto conseguiam levantar milhões de dólares apenas com promessas e apresentações em PowerPoint está terminando, conforme reportou o veículo.
Avaliações exageradas e modelos de negócio sem sustentação econômica são os principais culpados pela onda de falências. Durante o período de juros baixos (que nos Estados Unidos durou de 2008 a 2022, e no Brasil manteve a Selic em patamares historicamente reduzidos entre 2017 e 2021), investidores despejaram recursos em startups cripto sem exigir demonstrações claras de receita ou viabilidade. Para contextualizar: é como se alguém abrisse uma loja sem saber se há clientes dispostos a comprar, apenas porque conseguiu empréstimo fácil no banco. Agora, com juros mais altos e investidores mais cautelosos, essas empresas não conseguem sustentar suas operações.
Kirkley não detalhou números específicos de falências na entrevista à CoinDesk, mas o diagnóstico aponta para um fenômeno conhecido em ciclos econômicos: a subida de juros (nos EUA, a taxa básica saltou de próxima a zero em 2021 para acima de 5% em 2023) expõe negócios que dependiam de financiamento constante. No universo cripto, isso significa que exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas), protocolos DeFi (bancos digitais sem banco no meio, que operam por contratos automáticos) e empresas de infraestrutura estão sob pressão para provar que geram valor real, não apenas promessas.
Para o investidor brasileiro, o cenário traz lições importantes. Projetos cripto negociados na B3 por meio de ETFs como HASH11, BITH11 e QBTC11 refletem, em parte, a saúde do ecossistema global. Quando empresas do setor quebram, a confiança no mercado como um todo pode ser abalada, afetando cotações e volumes de negociação. A título de comparação: é semelhante ao que ocorre quando uma grande construtora vai à falência no Brasil, o setor imobiliário inteiro sente o impacto, mesmo que outras empresas estejam saudáveis.
Historicamente, períodos de ajuste no mercado cripto (como o inverno cripto de 2018 e a crise de 2022, que derrubou exchanges como a FTX) precederam fases de consolidação e maturidade. A visão de Kirkley, conforme reportou a CoinDesk, é que o setor está passando de uma fase especulativa para uma fase em que apenas negócios com fundamentos sólidos sobreviverão. Isso pode significar menos projetos mirabolantes, mas também um mercado mais confiável para quem investe a longo prazo.
📊 Número do Dia
5% , Taxa básica de juros nos EUA em 2023, contra praticamente zero em 2021. A alta expôs fragilidades de empresas cripto que dependiam de financiamento fácil (dado de contexto macroeconômico público).
Por que isso importa
A onda de falências no setor cripto sinaliza uma mudança estrutural: o mercado está deixando de premiar promessas e passando a exigir resultados concretos. Para o investidor brasileiro, isso significa mais cautela na escolha de ativos e projetos, mas também a perspectiva de um ecossistema mais maduro e confiável no médio prazo. Quem investe em ETFs cripto na B3 ou acompanha o setor deve entender que a volatilidade atual reflete um processo de seleção natural, não necessariamente o fim do mercado.
Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/08/13/crypto-s-easy-money-era-is-ending-in-a-wave-of-failures


