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quinta-feira, 20 de agosto de 2026 Brasil

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Refinaria de Mataripe reduz gasolina em 11,3% com subsídio federal

A Refinaria de Mataripe, segunda maior do Brasil, anunciou redução de 11,3% no preço da gasolina A vendida às distribuidoras, incorporando o subsídio federal de R$ 0,44 por litro criado para conter a alta provocada pela guerra do Irã.

Refinaria de Mataripe reduz gasolina em 11,3% com subsídio federal de R$ 0,44 por litro, mas preço fica 33,7% acima da Petrobras. Entenda o impacto.

A Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde (BA), reduziu o preço da gasolina A de R$ 3,93 para R$ 3,49 por litro. A queda de 11,3% reflete o subsídio federal de R$ 0,44 por litro estabelecido pela Medida Provisória 1.358, editada pelo governo para amortecer o impacto da escalada do petróleo no mercado internacional — provocada pela guerra do Irã. A gasolina A é o combustível puro vendido pelas refinarias às distribuidoras, que depois adicionam etanol (mistura obrigatória) e transformam no produto final vendido nos postos, a gasolina C.

Mesmo com o desconto, o preço de Mataripe permanece 33,7% acima do cobrado pela Petrobras, que vende a gasolina A a R$ 2,61 por litro. A diferença se explica pela estrutura de custos e pela estratégia comercial da refinaria, que pertence ao fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, desde 2021 — quando foi vendida pela Petrobras. Mataripe responde por 14% da capacidade de refino do Brasil, 42% do abastecimento do Nordeste e 80% da Bahia, processando cerca de 302 mil barris de petróleo por dia, segundo a Agência Brasil.

O subsídio funciona como um reembolso do governo às refinarias: imagine que o Estado paga parte da conta para que o preço final não suba tanto. A medida é temporária e foi prorrogada por 30 dias, conforme noticiado anteriormente pela Agência Brasil. O objetivo é evitar que o choque externo — a guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo — se transforme em inflação doméstica, pressionando o custo de vida da população.

A título de comparação, subsídios a combustíveis são comuns em economias emergentes durante crises de preços. Na Índia, por exemplo, o governo manteve por anos um sistema de controle de preços de diesel e gasolina para proteger consumidores de choques externos, embora com impacto fiscal significativo. No Brasil, a MP 1.358 representa uma intervenção pontual, mas levanta questões sobre a sustentabilidade fiscal de longo prazo, especialmente em um cenário de contas públicas pressionadas.

Vale lembrar que o preço na bomba — aquele que o consumidor paga — ainda incorpora tributos federais e estaduais, frete, margem de lucro de distribuidoras e revendedoras, além do custo do etanol misturado. Por isso, a redução de 11,3% no preço da refinaria não se traduz automaticamente em queda proporcional no posto.

📊 Número do Dia

R$ 0,44 — Valor do subsídio federal por litro de gasolina, criado para conter a alta provocada pela guerra do Irã

Por que isso importa

Para o consumidor, a medida pode aliviar parcialmente o aumento no custo de vida, embora o impacto final dependa de como distribuidoras e postos repassam a redução. Para o governo, o subsídio representa um alívio político de curto prazo, mas pressiona o orçamento público em um momento de contas apertadas. Para investidores, a diferença de preços entre Mataripe e Petrobras sinaliza margens distintas e levanta dúvidas sobre a competitividade da refinaria privada — a Petrobras já manifestou interesse em recomprá-la.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/segunda-maior-refinaria-do-pais-reduz-preco-da-gasolina-em-113