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quinta-feira, 20 de agosto de 2026 Brasil

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Pix já responde por um quinto dos pagamentos em bares e restaurantes

O Pix alcançou 20,5% das vendas presenciais em bares e restaurantes brasileiros, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com 2.109 estabelecimentos. O avanço ocorre principalmente à custa do dinheiro em espécie, que caiu para apenas 8,3% das transações.

Pix alcança 20,5% dos pagamentos em bares e restaurantes, crescendo principalmente entre pequenos negócios. Dinheiro em espécie cai para 8,3% das transações.

O Pix — sistema gratuito de transferência instantânea criado pelo Banco Central em 2020 — já representa 20,5% dos pagamentos presenciais em bares e restaurantes do Brasil. Segundo pesquisa da Abrasel divulgada em agosto de 2026, o meio de pagamento ganhou 4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando respondia por 16,5% das transações. O cartão de crédito segue como líder absoluto, com 41,5% das vendas, seguido pelo cartão de débito (25,1%).

O grande perdedor foi o dinheiro em espécie, que encolheu para 8,3% das transações — um reflexo da digitalização acelerada dos pagamentos no país. Para efeito de comparação, na Alemanha, uma das maiores economias da Europa, o dinheiro físico ainda responde por cerca de 60% das compras em pequeno valor, segundo dados do Bundesbank. O Brasil caminha na direção oposta: até o cheque, que já dominou o mercado, hoje representa menos de 1% dos pagamentos.

Pequenos negócios lideram a adoção

A pesquisa da Abrasel revelou que quanto menor o estabelecimento, maior a participação do Pix. Nos negócios com faturamento anual de até R$ 130 mil — imagine uma lanchonete de bairro ou um bar familiar —, o sistema já responde por 30,4% das vendas. Entre empresas que faturam de R$ 130 mil a R$ 360 mil por ano, a participação é de 22,6%. Já nos estabelecimentos maiores, com receita acima de R$ 1 milhão anuais, o Pix varia entre 14,9% e 17,5%.

A explicação está nos custos. Enquanto as maquininhas de cartão cobram taxas que variam de 1,5% a 5% por transação (o chamado spread bancário, que é a margem cobrada pelos intermediários), o Pix é gratuito tanto para quem paga quanto para quem recebe. Para um pequeno negócio com margens apertadas, essa diferença pode representar a sobrevivência no fim do mês.

Geografia e perfil do estabelecimento fazem diferença

O Norte do país lidera o uso do Pix em bares e restaurantes, com 29,8% das transações — superando até mesmo o cartão de débito (24,5%) na região. O Nordeste vem em seguida, com 24,2%. Nas demais regiões, o Pix ocupa a terceira posição: 18,1% no Sudeste, 17,9% no Centro-Oeste e 16,5% no Sul.

O tipo de estabelecimento também influencia. Nos negócios de alimentação rápida — como hamburguerias e lanchonetes —, o Pix já alcança 24,6% das vendas. Em restaurantes especializados, a participação chega a 21%, enquanto em bares e casas noturnas responde por 19,9%. Nos restaurantes tradicionais com refeições completas, o índice é de 17%.

O que vem pela frente

Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, o Pix vai além de um simples meio de pagamento. “O cliente quer rapidez, praticidade e segurança. O empresário busca soluções que reduzam custos e tragam previsibilidade ao fluxo de caixa. O Pix atendeu a essas duas necessidades”, afirmou em nota. A associação vê o sistema como porta de entrada para programas de fidelidade digitais, integração com pedidos online e novas experiências ao consumidor.

A tendência é que o avanço continue. Com a queda contínua do dinheiro em espécie — que já ficou abaixo de 11% em todas as regiões do país — e a pressão por redução de custos operacionais, o Pix deve consolidar-se como o segundo meio de pagamento mais usado no setor, atrás apenas do cartão de crédito.

📊 Número do Dia

20,5% — Participação do Pix nas vendas presenciais de bares e restaurantes brasileiros em 2026, ante 16,5% no ano anterior

Por que isso importa

Para o empresário do setor de alimentação, o Pix representa economia direta: sem taxas de intermediação, sobra mais dinheiro no caixa. Para o consumidor, significa mais agilidade no pagamento e menos necessidade de carregar dinheiro ou cartões. Para a economia como um todo, a digitalização dos pagamentos reduz a informalidade, melhora a arrecadação tributária e aumenta a eficiência do sistema financeiro — benefícios que, no longo prazo, podem se traduzir em juros menores e mais crédito disponível.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/pix-amplia-participacao-nos-pagamentos-em-bares-e-restaurantes