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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Fraudes financeiras crescem 10% com novas regras do BC

O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% no primeiro semestre de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências. O avanço reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central.

Fraudes financeiras crescem 10% no Brasil com novas regras do BC. Aumento reflete melhor detecção após compartilhamento obrigatório de dados entre bancos.

O Brasil registrou mais de 9 milhões de indícios de fraudes financeiras no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. Segundo levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, o aumento não representa necessariamente uma explosão de crimes, mas sim uma melhora na capacidade de detectá-los.

A mudança se deve à Resolução 501 do Banco Central, que entrou em vigor e tornou obrigatório o compartilhamento de informações sobre fraudes entre instituições financeiras. Antes dessa regra, muitas tentativas de golpe simplesmente não eram registradas — era como se cada banco tivesse apenas uma peça do quebra-cabeça, sem enxergar o quadro completo. Agora, com o Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod, os bancos conseguem identificar padrões de atuação de criminosos e bloquear operações suspeitas de forma preventiva.

O celular como porta de entrada

O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix — o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central — foi o meio utilizado em 85% das fraudes. Para contextualizar, o Pix movimentou mais de R$ 17 trilhões em 2025, segundo dados públicos do BC, tornando-se alvo natural de golpistas pela velocidade e irreversibilidade das transações.

A engenharia social, técnica baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros. Imagine receber uma ligação de alguém se passando por funcionário do banco, dizendo que sua conta foi invadida e que você precisa transferir seu dinheiro para uma “conta segura” — esse é o tipo de golpe que mais cresce no país. Foram mais de 3,6 milhões de ocorrências desse tipo no semestre.

Quem são as vítimas

Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, contrariando a percepção comum de que apenas idosos caem em golpes. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos, o que torna o impacto financeiro ainda mais devastador.

O levantamento também identificou elevado índice de reincidência: das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil — um quarto do total — foram vítimas duas ou mais vezes. É como se, após ter a casa arrombada uma vez, a pessoa não trocasse a fechadura e fosse assaltada novamente.

Comparação internacional

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Segundo dados da Federal Trade Commission, os Estados Unidos registraram perdas de US$ 10 bilhões com fraudes em 2023, com crescimento anual de 14%. No Reino Unido, a UK Finance reportou aumento de 12% em fraudes bancárias no mesmo período. A diferença é que países desenvolvidos já possuem sistemas de compartilhamento de dados entre instituições há mais tempo — o Brasil está correndo atrás desse atraso regulatório.

O que muda na prática

Para o cidadão, o aumento dos registros significa que os bancos estão mais preparados para identificar e bloquear operações suspeitas antes que o dinheiro saia da conta. Para as instituições financeiras, a Resolução 501 representa um custo adicional de compliance (adequação às regras), mas também reduz perdas com fraudes que antes passavam despercebidas. Segundo Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, “o aumento de 10% no volume de fraudes reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro”.

A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular. Nunca tome decisões financeiras apressadas, não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros — isso o torna cúmplice e vítima do esquema de “contas laranja”, usadas por criminosos para lavar dinheiro.

📊 Número do Dia

9 milhões — Indícios de fraudes financeiras registrados no primeiro semestre de 2026 no Brasil, alta de 10,26% em relação ao semestre anterior

Por que isso importa

O crescimento dos registros de fraudes não é necessariamente uma má notícia — indica que o sistema financeiro brasileiro está finalmente enxergando a dimensão real do problema. Com o compartilhamento obrigatório de dados entre bancos, golpes que antes passavam despercebidos agora são detectados e podem ser bloqueados. Para o cidadão, isso significa mais proteção, mas também a necessidade de redobrar cuidados com operações pelo celular. Para as empresas, representa custos adicionais de compliance, mas também redução de perdas. O Brasil está alinhando-se a práticas internacionais de combate a fraudes, ainda que com atraso.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/com-novas-regras-do-bc-registros-de-fraudes-financeiras-crescem-10