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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Carta da Redação : A Semana da Economia

Inflação recua, dólar cai e Bolsa sobe: a semana em que a economia brasileira decidiu comportar-se bem. Análise semanal do Correio Capital.

Inflação recua, dólar cai e Bolsa sobe: a semana em que a economia brasileira decidiu comportar-se bem. Análise semanal do Correio Capital.

Há semanas em que a economia brasileira decide comportar-se bem, quase como se tivesse lido o manual.

A Leitura da Semana

A inflação oficial de junho registrou alta de apenas 0,16%, o menor resultado mensal desde outubro de 2025. O IPCA desacelerou pelo quarto mês consecutivo, puxado pela queda nos preços dos alimentos. Para quem acompanha a trajetória dos juros e a ansiedade do Banco Central, é o tipo de notícia que chega em boa hora: a inflação está perdendo força justamente quando o mundo inteiro observa se o Brasil conseguirá manter o crescimento sem pressionar os preços.

Enquanto isso, o dólar recuou para R$ 5,123, o menor patamar em três semanas, e a Bolsa subiu quase 3% na semana, fechando no maior nível desde maio. O movimento não foi isolado: a moeda americana perdeu força globalmente, mas aqui dentro o recuo ganhou impulso adicional com a melhora das expectativas fiscais e a percepção de que o Brasil está navegando com mais previsibilidade. O FMI, aliás, elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 1,9% para 2,4% em 2026, um voto de confiança que não passa despercebido.

No front externo, o governo prorrogou por mais dois meses o imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto, reagindo às tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. A medida busca evitar que a escalada dos preços internacionais do petróleo pressione a inflação doméstica. Curiosamente, a mesma semana trouxe a notícia de que a Rússia cortou temporariamente as exportações de diesel após ataques ucranianos a refinarias estratégicas. O Brasil, grande produtor de petróleo e consumidor de diesel, observa atento: qualquer choque no mercado global de combustíveis pode redesenhar o cenário interno em questão de dias.

Perspectiva & Olhar da Redação

O que une esses três movimentos é a percepção de que o Brasil está conseguindo administrar suas variáveis internas enquanto o mundo segue instável. A inflação recua, o câmbio se acomoda, a Bolsa respira. Não é euforia, é alívio: aquele momento raro em que os indicadores apontam na mesma direção e o mercado decide acreditar, ainda que com ressalvas.

Claro, nada disso acontece no vácuo. O FMI elevou a projeção de crescimento, mas manteve as advertências sobre a necessidade de controle fiscal. A inflação recuou, mas o diesel russo e o petróleo iraniano lembram que o Brasil não controla o preço da energia no mundo. A Bolsa subiu, mas ainda está longe dos patamares de 2025. O otimismo, quando aparece, vem acompanhado de asteriscos.

Ainda assim, há algo de reconfortante em ver a economia brasileira funcionando sem sobressaltos. Os idosos viajam mais, os pequenos comerciantes viram pontos de entrega, Niterói draga seu canal e recupera vocação portuária. São sinais de uma economia que cresce não apenas nos grandes números, mas nos pequenos ajustes do dia a dia.

Resta saber se essa calmaria é estrutural ou apenas uma pausa entre turbulências. Afinal, quando foi a última vez que o Brasil conseguiu manter a serenidade por mais de um trimestre seguido?

Vitor Ribeiro
Correio Capital