A inflação brasileira perdeu força em junho, registrando alta de apenas 0,16% — o menor resultado mensal desde outubro de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou pelo quarto mês seguido, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava 0,32% para o mês.
O IPCA é o termômetro que o governo usa para saber se os preços estão subindo rápido ou devagar demais — e é com base nele que o Banco Central decide se aumenta ou reduz a taxa básica de juros (a Selic). Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,64%, ainda acima do teto da meta oficial de 4,5%, mas abaixo dos 4,72% registrados até maio. A meta do governo é manter a inflação em 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Alimentos mais baratos explicam o alívio
O principal responsável pela desaceleração foi o grupo de alimentação e bebidas, que registrou deflação (queda de preços) de 0,24% no mês. É a primeira vez que os alimentos ficam mais baratos desde novembro de 2025. Produtos como café moído (-3,72%), frutas (-1,58%), carnes (-0,64%) e tomate (-2,02%) puxaram os preços para baixo. Segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, o recuo reflete maior oferta de alguns produtos e a devolução de altas recentes.
Para entender o impacto: imagine que a cesta de compras do supermercado, que vinha pesando no bolso há meses, finalmente deu uma trégua. Esse alívio nos alimentos foi suficiente para compensar pressões em outras áreas, como energia elétrica e passagens aéreas.
Energia elétrica pressiona para cima
Do lado das altas, o vilão foi o grupo habitação, que subiu 0,63%, puxado pela energia elétrica (1,53%). A conta de luz ficou mais cara por dois motivos: a manutenção da bandeira tarifária amarela — que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos — e reajustes locais em capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Como o IPCA é calculado nacionalmente, esses aumentos regionais entram na média do país.
As passagens aéreas também subiram forte (7,12%), enquanto os combustíveis trouxeram alívio: etanol caiu 3,09%, diesel 1,19% e gasolina 0,12%.
Comparação internacional
A título de comparação, a inflação brasileira em 12 meses (4,64%) ainda supera a de economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos, segundo dados públicos do Federal Reserve, a inflação anual ficou em torno de 3% no mesmo período. Na zona do euro, o índice harmonizado de preços ao consumidor registrou cerca de 2,5%. O Brasil, como economia emergente, historicamente convive com inflação mais alta, mas o desafio é mantê-la dentro da meta para evitar que o Banco Central precise elevar ainda mais os juros — o que encarece crédito e freia o crescimento.
Inflação espalhada, mas em menor grau
O índice de difusão, que mostra quantos produtos e serviços subiram de preço, ficou em 54% — ou seja, pouco mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE ficou mais cara. É o menor patamar desde outubro de 2025 (52%), sinalizando que a pressão inflacionária está menos disseminada pela economia.
📊 Número do Dia
0,16% — Menor inflação mensal desde outubro de 2025, puxada pela primeira queda nos preços dos alimentos em sete meses
Por que isso importa
Para o cidadão, a desaceleração da inflação significa que o poder de compra está sendo menos corroído — especialmente com alimentos mais baratos. Para o investidor, o dado reforça a expectativa de que o Banco Central possa interromper o ciclo de alta de juros nos próximos meses, o que tende a beneficiar ações e reduzir a atratividade da renda fixa. Para as empresas, inflação mais controlada reduz incertezas e facilita o planejamento de custos e preços. Mas o desafio permanece: a inflação acumulada em 12 meses ainda está acima da meta, e o governo precisará manter a vigilância para evitar que pressões pontuais — como energia e câmbio — voltem a acelerar os preços.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/preco-de-alimentos-recua-e-inflacao-oficial-de-junho-fica-em-016


