O Brasil registrou a menor taxa de desemprego da história para o trimestre terminado em julho: 5,3%. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, esse é o melhor resultado desde o início da série histórica em 2012. No trimestre anterior (encerrado em abril), a taxa era de 5,8%, e no mesmo período de 2025 estava em 5,6%.
Para entender o que isso significa: a taxa de desemprego mede quantas pessoas que querem trabalhar não conseguem encontrar emprego. Quando essa taxa cai, significa que mais gente está conseguindo uma vaga. E os números são expressivos: o país atingiu 103,3 milhões de pessoas ocupadas, recorde absoluto da série. Desse total, 39,4 milhões têm carteira assinada (excluindo trabalhadores domésticos), também o maior número já registrado.
Mas há um lado menos positivo nessa história: a informalidade continua alta. A taxa de trabalhadores informais (aqueles sem carteira assinada, autônomos e empregadores sem CNPJ) ficou em 37,5%, ligeiramente acima dos 37,2% do trimestre anterior. Isso representa 13,8 milhões de pessoas trabalhando sem garantias como seguro-desemprego, férias ou 13º salário — um contingente maior que a população inteira de Portugal, por exemplo.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o crescimento do emprego foi puxado principalmente pela construção civil, com destaque para pedreiros e trabalhadores da construção de edifícios. Outro fator importante foi a tecnologia: aplicativos de entrega e transporte facilitaram o acesso ao trabalho. “Hoje em dia, com telefone e bicicleta, você consegue trabalhar. A tecnologia está mudando o mercado de trabalho”, afirmou Kratochwill. O setor de transporte, armazenagem e correio (que inclui entregadores de aplicativo) cresceu 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O número de desempregados caiu para 5,8 milhões de pessoas, uma redução de 503 mil em relação ao trimestre anterior. A população desalentada (aquelas pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga) também recuou 9,7%, para 2,3 milhões. A título de comparação, a taxa de desemprego dos Estados Unidos no mesmo período ficou em torno de 4%, enquanto países europeus como Espanha ainda enfrentam taxas próximas a 12%.
O rendimento médio do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.762, uma queda de 0,7% em relação ao trimestre anterior — variação que o IBGE classifica como “estável”. Isso significa que, apesar de mais pessoas estarem trabalhando, o salário médio não está subindo. É como se o mercado estivesse criando muitas vagas, mas não necessariamente vagas bem remuneradas.
A Pnad Contínua visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal e considera desocupada apenas a pessoa que procurou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa. O menor desemprego já registrado foi 5,1% no último trimestre de 2025, enquanto o pico foi 14,9% durante a pandemia de covid-19, em 2020 e 2021.
📊 Número do Dia
103,3 milhões — Número recorde de pessoas ocupadas no Brasil, o maior da série histórica iniciada em 2012
Por que isso importa
Para o cidadão, a queda do desemprego significa mais oportunidades de trabalho, mas a alta informalidade indica que muitas dessas vagas não oferecem proteção social completa. Para empresas, o mercado aquecido pode pressionar salários no futuro, especialmente em setores com escassez de mão de obra qualificada. Para investidores, o cenário de pleno emprego pode sustentar o consumo das famílias, mas também aumenta o risco de pressão inflacionária, o que influencia as decisões do Banco Central sobre juros.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/desemprego-cai-para-53-o-menor-para-o-trimestre-terminado-em-julho


