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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Brasil debate futuro das terras raras: commodity ou indústria?

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, lançou esta semana um estudo que mapeia reservas de terras raras no Brasil e propõe caminhos para sua exploração até 2040.

Brasil possui 25% das reservas mundiais de terras raras e debate se exportará matéria-prima ou desenvolverá indústria de alta tecnologia até 2040.

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: exportar terras raras como matéria-prima bruta ou desenvolver uma indústria nacional que transforme esses minerais em produtos de alto valor agregado. A questão ganhou destaque com o lançamento do livro “Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040”, apresentado no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, no Rio de Janeiro.

Mas o que são terras raras? Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos metálicos com alta condutividade térmica e elétrica, essenciais para fabricar produtos de tecnologia avançada como smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Apesar do nome, esses minerais não são exatamente raros na natureza — o problema é que sua extração e processamento são complexos e caros.

Um quarto das reservas globais

Segundo o estudo do CGEE, assinado por dez pesquisadores e engenheiros, o Brasil possui cerca de 25% das reservas mundiais de terras raras, com depósitos significativos na Amazônia. Para efeito de comparação, a China — que domina 60% da produção global — detém apenas 37% das reservas conhecidas, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Isso significa que o Brasil tem potencial para redefinir sua posição nesse mercado estratégico.

O dilema brasileiro é semelhante ao que o país enfrenta com outras riquezas naturais. Assim como exporta minério de ferro em vez de aço, e grãos em vez de alimentos processados, o Brasil precisa decidir se quer apenas fornecer a matéria-prima ou subir na cadeia de valor. “Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que é que nós vamos fazer”, afirmou Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, segundo a Agência Brasil.

O caminho até 2040

A publicação desenha cenários e estratégias para que o Brasil desenvolva uma cadeia produtiva completa até 2040. Isso exigiria política industrial específica, financiamento para empreendimentos e formação de mão de obra especializada — a Universidade Federal de Pernambuco já prepara um curso de pós-graduação em rede para formar profissionais na área. O estudo também propõe cooperação internacional e captação de capital multilateral para viabilizar os projetos.

A discussão ganha relevância prática com a tramitação no Senado do Projeto de Lei 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto aguarda desde maio despacho da Mesa Diretora do Senado e pode definir os rumos da exploração desses recursos no país. O tema é uma das áreas prioritárias da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034.

📊 Número do Dia

25% — Percentual das reservas mundiais de terras raras localizadas em território brasileiro, segundo estudo do CGEE

Por que isso importa

A decisão sobre como explorar terras raras definirá se o Brasil continuará exportando matéria-prima barata ou se desenvolverá uma indústria de alta tecnologia capaz de gerar empregos qualificados e produtos com maior valor agregado. Para o cidadão, isso pode significar a diferença entre importar smartphones caros ou fabricá-los aqui. Para empresas, representa oportunidades em um mercado global estimado em bilhões de dólares. E para investidores, sinaliza um setor estratégico em formação, com potencial de crescimento nas próximas décadas.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/publicacao-propoe-alternativas-para-exploracao-de-terras-raras-no-pais