Quando a seleção brasileira entra em campo na Copa do Mundo, o consumo de energia elétrica no Brasil despenca de forma dramática. Na última quarta-feira (24), durante a partida contra a Escócia em Miami, a demanda caiu 9.058 megawatts (MW) entre o início do jogo e o fim do primeiro tempo, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para entender a magnitude: essa redução equivale à soma do consumo médio dos estados do Rio de Janeiro e do Pará — como se duas grandes regiões do país simplesmente desligassem tudo ao mesmo tempo.
O fenômeno começa antes mesmo da bola rolar. Às 18h25, meia hora antes do jogo, a carga já havia caído 7 mil MW — o equivalente ao consumo médio de Minas Gerais. O ONS, órgão responsável por coordenar a geração e transmissão de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), montou uma operação especial para monitorar essas oscilações em tempo real. A instituição, formada por representantes de empresas do setor e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), precisa ajustar rapidamente a produção para evitar desperdícios ou falta de energia.
Intervalo dispara consumo recorde
Com o fim do primeiro tempo, o consumo disparou 5,6 mil MW em apenas nove minutos — a maior rampa de elevação já registrada em intervalos de jogos do Brasil nas últimas três Copas. Essa subida equivale à soma das cargas médias de Santa Catarina e Mato Grosso. É como se milhões de brasileiros ligassem geladeiras, micro-ondas e chuveiros simultaneamente. Quando o segundo tempo começou, a demanda voltou a despencar, atingindo o menor nível (78.236 MW) três minutos antes do apito final. Com a vitória confirmada, o consumo subiu novamente 8.546 MW em 18 minutos — equivalente ao Paraná e à Bahia juntos.
Comparação internacional
Esse padrão de oscilação não é exclusivo do Brasil. Durante a Copa do Mundo de 2022, a Inglaterra registrou variações semelhantes, com picos de consumo nos intervalos chegando a 1.200 MW — proporcionalmente menor, mas igualmente desafiador para o sistema britânico. A título de comparação, o Brasil opera um sistema elétrico de dimensões continentais, com capacidade instalada superior a 200 mil MW, enquanto o Reino Unido trabalha com cerca de 75 mil MW. A diferença de escala torna o desafio brasileiro ainda mais complexo.
Planejamento em tempo real
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destaca que eventos de grande audiência exigem planejamento e resposta ágil da operação. “Da sala de casa às festas de rua, todos estes comportamentos influenciam nossa operação”, afirma. O monitoramento permite que o ONS determine, por exemplo, o aumento ou a redução da geração de energia em usinas hidrelétricas e termelétricas, evitando desperdícios ou apagões. Na próxima segunda-feira, a seleção enfrenta o Japão às 14h, em Houston — um horário que pode trazer oscilações diferentes, já que coincide com o pico de consumo comercial e industrial.
📊 Número do Dia
9.058 MW — Redução no consumo de energia durante o jogo Brasil x Escócia, equivalente ao consumo somado de Rio de Janeiro e Pará
Por que isso importa
Para o cidadão, essas oscilações mostram como hábitos coletivos impactam a infraestrutura do país — e exigem investimentos constantes em tecnologia de monitoramento. Para empresas do setor elétrico, eventos como a Copa representam desafios operacionais que testam a capacidade de resposta do sistema. Para o investidor, evidenciam a importância de modernização e automação no setor energético, áreas que devem atrair recursos nos próximos anos.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/jogos-do-brasil-na-copa-provocam-altos-e-baixos-no-consumo-de-energia


