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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Tesouro Direto bate recorde em maio com novo título

As vendas de títulos públicos a pessoas físicas pela internet bateram recorde para meses de maio, alcançando R$ 10,22 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. O aumento de 48,98% em relação ao mesmo mês de 2025 foi impulsionado pelo lançamento do Tesouro Reserva.

Vendas do Tesouro Direto batem recorde em maio com R$ 10,22 bi, impulsionadas pelo novo Tesouro Reserva e pela Selic em 14,25%. Entenda o impacto.

O Tesouro Direto — programa que permite a qualquer brasileiro emprestar dinheiro ao governo pela internet e receber juros em troca — vendeu R$ 10,22 bilhões em títulos públicos em maio de 2026. Segundo o Tesouro Nacional, esse é o maior volume já registrado para meses de maio desde a criação do programa em 2002. O valor representa um salto de 48,98% em relação a maio de 2025 e de 19,46% ante abril deste ano.

O principal motor desse crescimento foi o Tesouro Reserva, novo título lançado recentemente que funciona como as “caixinhas” de bancos digitais — permite separar dinheiro para objetivos específicos, mas com a segurança e a rentabilidade dos títulos públicos. Sozinho, o Tesouro Reserva atraiu R$ 1,52 bilhão em investimentos, representando 14,9% do total vendido no mês. Somado às tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFT), os papéis atrelados à taxa Selic (o juro básico que o Banco Central usa para controlar a inflação) responderam por 54,5% das vendas.

Esse interesse por títulos vinculados aos juros básicos tem uma explicação clara: a Selic está em 14,25% ao ano, patamar elevado que torna esses papéis bastante atrativos. Para efeito de comparação, a taxa de juros básica nos Estados Unidos está em torno de 5,5% ao ano, menos da metade da brasileira. Quando o governo paga juros tão altos, emprestar dinheiro a ele se torna um investimento competitivo mesmo para quem tem pouco capital — 54,7% das operações em maio foram de até R$ 1 mil.

O número de investidores também cresceu de forma expressiva. Em maio, 267.136 novos participantes aderiram ao programa, elevando o total para 35,59 milhões de brasileiros cadastrados — um aumento de 9,53% em 12 meses. Desses, 3,59 milhões mantêm investimentos ativos (com dinheiro aplicado), alta de 19,19% no mesmo período. O estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 251,01 bilhões, crescimento de 42,53% em relação a maio de 2025.

Os investidores estão preferindo papéis de curto prazo: 46,6% das vendas foram de títulos com vencimento em até cinco anos. Isso reflete a incerteza sobre o futuro da economia — quando há dúvidas sobre inflação e juros, aplicadores evitam comprometer seu dinheiro por períodos muito longos. Títulos com prazo entre cinco e dez anos representaram 34,4% das vendas, enquanto os de mais de dez anos ficaram com 19%.

O que muda para o cidadão

O crescimento do Tesouro Direto democratiza o acesso a investimentos seguros e rentáveis. Antes restrito a grandes investidores, emprestar dinheiro ao governo agora está ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet e alguns reais no bolso. Com a Selic em patamar elevado, mesmo pequenas aplicações rendem mais do que a tradicional poupança — que paga 70% da Selic quando esta está acima de 8,5% ao ano, ou seja, cerca de 9,97% ao ano atualmente, contra os 14,25% dos títulos atrelados à Selic (descontando a pequena taxa da B3). É como trocar o rendimento de uma caderneta de poupança pelo de um investimento mais sofisticado, mas com a mesma facilidade de uso.

📊 Número do Dia

R$ 10,22 bilhões — Volume recorde de vendas do Tesouro Direto em maio de 2026, maior já registrado para esse mês desde a criação do programa em 2002

Por que isso importa

O crescimento acelerado do Tesouro Direto sinaliza que os brasileiros estão buscando alternativas à poupança tradicional e aproveitando os juros elevados para fazer seu dinheiro render mais. Para o governo, isso representa uma forma eficiente de captar recursos para financiar suas atividades e pagar dívidas. Para o cidadão comum, significa acesso facilitado a investimentos que antes eram privilégio de quem tinha muito capital ou conhecimento técnico — basta ter internet e alguns reais para começar a emprestar ao governo e receber juros competitivos em troca.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/com-novo-titulo-vendas-do-tesouro-direto-superam-r-10-bi-em-maio