A inflação brasileira está perdendo força, mas ainda preocupa. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — a prévia da inflação oficial que mede quanto os preços subiram para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos — marcou 0,41% em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo mês seguido de desaceleração: em abril, o índice havia atingido 0,89%, caindo para 0,62% em maio.
No acumulado de 12 meses, porém, a inflação soma 4,8%, acima dos 4,64% registrados em maio. Esse número importa porque o governo brasileiro estabeleceu uma meta de inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, o teto aceitável seria 4,5%. O Brasil está, portanto, fora da meta. A título de comparação, a zona do euro registrou inflação anual de 2,6% em maio de 2024, segundo dados do Eurostat, enquanto os Estados Unidos encerraram maio com 3,3% em 12 meses.
Alimentos e energia elétrica puxam a alta
Dois grupos responderam por dois terços da inflação de junho: alimentação e bebidas (0,74%) e habitação (0,72%). No caso dos alimentos, produtos como batata-inglesa (29,42%), tomate (17,27%) e feijão-carioca (14,29%) dispararam. O IBGE destacou que, no semestre, tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço — reflexo direto de condições climáticas adversas. É como se a conta do supermercado ficasse mais pesada mês a mês, especialmente para quem depende desses itens básicos.
A conta de luz foi o item individual que mais impactou a inflação (0,08 ponto percentual), subindo 2,04%. A razão está na bandeira tarifária amarela, acionada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) devido à previsão de chuvas abaixo da média e ao aumento do consumo. Funciona assim: quando chove menos, as hidrelétricas — que geram energia mais barata — produzem menos, e o país precisa acionar usinas termelétricas, que custam mais caro. Esse custo extra é repassado ao consumidor na forma de uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos. Reajustes tarifários em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador também contribuíram para a alta.
Combustíveis aliviam, mas passagens aéreas sobem
No grupo transportes, houve alívio nos combustíveis: etanol caiu 5,30%, gasolina recuou 0,73% e óleo diesel teve queda de 1,47%. Esses recuos ajudaram a conter a inflação geral, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual. No sentido contrário, as passagens aéreas subiram 7,24%, pressionando o bolso de quem viaja. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado em 22 de junho, o mercado financeiro esperava uma inflação oficial de 0,32% para junho — abaixo dos 0,41% registrados pela prévia.
📊 Número do Dia
4,8% — Inflação acumulada em 12 meses, acima da meta de 4,5% estabelecida pelo governo
Por que isso importa
Para o cidadão, a inflação acima da meta significa que o poder de compra continua sendo corroído, especialmente em itens essenciais como alimentos e energia. Para o investidor, o cenário pressiona o Banco Central a manter os juros elevados — a taxa Selic (o juro básico da economia) está em 14% ao ano, segundo projeções do mercado, encarecendo crédito e financiamentos. Para as empresas, custos mais altos de insumos e energia reduzem margens de lucro e dificultam o planejamento de longo prazo.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/previa-da-inflacao-perde-forca-pelo-2o-mes-e-fecha-junho-em-041


