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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Petrobras compra 50% de bloco no pré-sal de Campos

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (10) a compra de 50% do bloco exploratório Itaimbezinho, localizado no pré-sal da Bacia de Campos, a cerca de 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. A venda foi feita pela Equinor Brasil Energia, braço da estatal norueguesa.

Petrobras compra 50% do bloco Itaimbezinho no pré-sal de Campos da norueguesa Equinor, reforçando estratégia de recomposição de reservas na maior região produtora do país.

A Petrobras adquiriu metade de um novo campo de exploração de petróleo no pré-sal, a camada rochosa sob o oceano que concentra as maiores reservas brasileiras de óleo. O bloco Itaimbezinho, localizado na Bacia de Campos (litoral do Rio de Janeiro), pertencia inteiramente à Equinor, empresa estatal da Noruega. Nenhuma das companhias revelou o valor da transação. Como ainda é área exploratória, o campo não produz petróleo — funciona como um terreno que precisa ser perfurado e avaliado antes de começar a gerar receita.

Segundo a Petrobras, a operação está alinhada à estratégia de longo prazo da empresa: recompor suas reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras em parceria com outras companhias. O pré-sal (camada de rochas situada abaixo de uma espessa camada de sal, que pode chegar a 7 mil metros de profundidade) responde atualmente por 82% da produção nacional de petróleo e gás, segundo dados de abril de 2026 da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foram 4,614 milhões de barris de óleo equivalente por dia — uma unidade que converte gás e petróleo em um único número para facilitar a soma.

Parceria estratégica

A compra reforça a colaboração entre Petrobras e Equinor na Bacia de Campos, onde as duas já atuam juntas em outros projetos. O principal deles é o Raia, maior empreendimento de gás natural do país a entrar em operação nesta década. As empresas também dividem a licença exploratória de Jaspe, na qual a Petrobras detém 60%. A título de comparação, parcerias desse tipo são comuns em países produtores de petróleo: na Noruega, berço da Equinor, a estatal divide campos com gigantes como Shell e TotalEnergies, diluindo riscos e custos de exploração em águas profundas.

A Equinor havia arrematado o bloco Itaimbezinho sozinha em outubro de 2025, no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP. Nesse tipo de leilão, vence quem oferece o maior percentual do lucro (chamado de excedente em óleo) para a União — a norueguesa ofereceu 6,95%. Agora, para a venda à Petrobras valer, é necessária aprovação da ANP e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que fiscaliza a concorrência e evita monopólios.

O que muda

Para a Petrobras, a aquisição representa um reforço no estoque de áreas com potencial de produção futura, essencial para manter o fluxo de receitas no longo prazo. É como se a empresa comprasse um imóvel ainda em planta: o retorno só virá depois de anos de investimento em perfuração e infraestrutura. Para o Brasil, a operação sinaliza que o pré-sal continua atraindo investimentos estrangeiros e parcerias, mesmo em um cenário global de transição energética — a Noruega, por exemplo, é líder em veículos elétricos, mas segue investindo em petróleo offshore para financiar sua economia.

📊 Número do Dia

82% — Fatia da produção nacional de petróleo e gás que vem do pré-sal, segundo dados de abril de 2026 da ANP

Por que isso importa

A compra de Itaimbezinho mostra que a Petrobras segue apostando no pré-sal como motor de crescimento, mesmo diante de pressões globais por descarbonização. Para o investidor, a estratégia de recomposição de reservas é crucial para garantir dividendos futuros. Para o cidadão, significa que o Brasil continuará dependendo do petróleo como principal fonte de receita de exportação e royalties para estados e municípios — em 2025, o setor respondeu por cerca de 15% das exportações brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/petrobras-compra-50-do-bloco-itaimbezinho-no-pre-sal-de-campos